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SAÚDE
Maior parte das infecções por HPV são silenciosas

O papiloma vírus humano, transmitido pelo contato sexual, raramente provoca sintomas, mas infecta uma em cada quatro mulheres no Brasil

LÍLIAM RAÑA
Agência Estado

SÃO PAULO – Um dado assustador: uma entre quatro mulheres tem HPV. Existem cerca de cem tipos do papilomavírus humano – como é conhecido o microorganismo entre os médicos – e a maioria não é detectada pelo exame ginecológico papanicolau. Dois tipos de HPV, considerados de alto risco, são responsáveis por mais de 98% dos casos de câncer uterino – terceira causa de morte em mulheres com neoplasias (tumores). Os especialistas não falam em cura, mas no controle da doença que se tornou muito comum entre homens e mulheres sexualmente ativos.

O HPV é uma infecção muito contagiosa, transmitida pelo contato direto com a pele ou membrana infectada, existindo lesões ou não. É a doença sexualmente transmissível (DST) mais freqüente no mundo. Os especialistas da área de saúde já identificaram que dos cem tipos existentes, 40 estão localizados na região genital. Em alguns casos, apenas o toque na área afetada, sexual ou não, já é o suficiente para contrair o vírus. Os médicos estimam que 9 milhões de pessoas estão infectadas no País e 80% não sabem.O diagnóstico não é fácil, como a maioria das DST. Existem casos com ausência de sinais visíveis ou sintomas imperceptíveis pelo paciente. A verruga genital é o tipo mais evidente de sintoma, no entanto, ela aparece em menos de 20% dos infectados. O HPV também pode ser diagnosticado pela existência de outras lesões identificadas por lentes de aumento específicas. E, enquanto o vírus ainda não se manifesta, o exame de biologia molecular revela se existe o problema e se pode evoluir para um tumor maligno. “Os exames de análise molecular servem para saber se o vírus representa alto ou baixo risco, e no caso do PCR (técnica de polimerase em cadeia), descobrir qual HPV a pessoa contraiu”, explica Francisco Ricardo Coelho, médico ginecologia e oncologista do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC).

Uma pessoa infectada pode permanecer com o vírus incubado por um período de três semanas a seis meses. “Mas a pessoa pode permanecer infectada por anos porque não sente nada, nem vai ao médico”, avisa Júlio José de Carvalho, médico urologista e professor assistente do serviço de Urologia da Santa Casa, em São Paulo. “O homem é o principal transmissor e não dá importância para o problema.” De acordo com ele, as chances de contrair HPV são maiores nos casos em que há excesso de pele no órgão genital masculino, a chamada fimose. Outro tipo de infecção menos freqüente é a contaminação de HPV pelo esperma.

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Jornal do Commercio
Recife - 16.12.2001
Domingo