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DIPLOMACIA
Promoção para embaixador agita Itamaraty

DENISE CHRISPIM MARIN
Agência Estado

BRASÍLIA – Empenhados em discussões espinhosas mundo afora, os diplomatas brasileiros passaram a semana passada envolvidos em uma questão doméstica capaz de elevar a ansiedade e a tensão entre os melhores negociadores. Como acontece a cada seis meses, a promoção para o topo da carreira – que garante o uso do título de embaixador – esteve nas conversas entre funcionários da garagem do Itamaraty até o gabinete do ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer. Mas, desta vez, tocou nos nervos porque nunca tantos candidatos tiveram tão poucas chances de chegar ao posto mais importante da carreira.

Esta semana, Lafer apresentará ao presidente Fernando Henrique Cardoso uma lista com 33 ministros de segunda categoria. FHC poderá escolher apenas sete deles e alçá-los para a primeira categoria – título que os credencia a assumir o posto de embaixador do Brasil no exterior e as funções mais importantes da estrutura do Itamaraty. Por costume, a casa costuma chamar esses funcionários como embaixadores antes mesmo de eles serem removidos – um jargão local para a transferência para outro país.

A dificuldade, desta vez, não está só na escolha de apenas 21% dos candidatos. O fato que torna o funil mais estreito é que em junho de 2002, não haverá nenhuma promoção para o topo da carreira – embora o número de candidatos deva aumentar. Somente daqui a um ano, em dezembro, serão abertas cinco vagas.

Isso significa que a maior parte dos diplomatas que atualmente apresentam condições para serem promovidos encerrará sua carreira, no futuro, sem ter conquistado o título de embaixador.

O cenário motiva os candidatos a buscar os meios possíveis para influenciar a decisão. Nessa hora, valem os serviços prestados, a aproximação ao Palácio do Planalto e ao gabinete do chanceler e até mesmo, em alguns casos, o respaldo de políticos. A escolha, por mais que esteja baseada no currículo do diplomata, conta com componentes subjetivos.

As vagas abertas para os novos embaixadores são aquelas deixadas pelos mais experientes, logo ao passarem para o chamado quadro especial. Ali estão os embaixadores com mais de 65 anos ou os que detenham o título por mais de 15 anos – a aposentadoria torna-se obrigatória somente aos 70 anos de idade. Atualmente, 62 diplomatas estão nesse grupo. A maioria deles ainda está na ativa, como é o caso de Marcos Castrioto Azambuja, que representa o Brasil em Paris.

Para se inscreverem no quadro de acesso ao posto superior, os diplomatas passam por cursos de aperfeiçoamento e ainda estão obrigados a elaborar uma tese acadêmica e a defendê-la para uma banca de velhos embaixadores e especialistas no tema. Seus currículos e a folha de serviços prestados, dentro e fora do País, são avaliados. Há ainda a exigência de um período mínimo de tempo no exterior.

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Jornal do Commercio
Recife - 16.12.2001
Domingo