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ARTES PLÁSTICAS II
Jovens artistas ganham espaço com pouco apoio institucional

Estado e Prefeitura se debruçam sobre muitos milhões de reais para erguer novos museus e centros culturais, enquanto os jovens artistas pernambucanos driblam dificuldades de ‘centavos’ para continuar renovando a linguagem das artes plásticas locais. Em vez de esperar por ações – grandes ou pequenas – das instituições culturais, ele partem para a luta e viabilizam suas próprias exposições.

É o caso do Ateliê Submarino, um espaço coletivo de arte que funciona como oficina de criação e galeria informal. No espaço, foram apresentadas boas exposições coletivas este ano.

Entre as iniciativas mais bem sucedidas, está a Casa Coisa, uma paródia inteligente e divertida da Casa Cor, mostra anual de decoração. “A gente já recebeu duas propostas para levar a Casa Coisa para outros Estados. Além disso, os jovens artistas do Submarino também conseguiram angariar um bom espaço para concretizar suas criações no Museu da Abolição/Iphan. Mesmo sem uma verba para exposições, o museu tem cedido uma área respeitável para a realização de mostras. Artistas do Ateliê Brecha também recorreram ao local.

Outro ponto de apoio para os criadores contemporâneos tem sido o Instituto de Arte Contemporânea (IAC), da UFPE. Apesar de ter organizado apenas três mostras depois de sua reabertura, em meados deste ano, a instituição já conseguiu definir o seu perfil e deve abrigar eventos interessantes de arte contemporânea em 2002.

Os artistas que não puderem contar com o IAC ou Iphan no próximo ano, não precisam desanimar. O recém-inaugurado Núcleo de Artes Visuais e Experimentos (Nave) promete ser mais um espaço aberto à inventividade e à criação dos jovens. O local começa a operar em março de 2002, com a proposta de funcionar como uma galeria e também como centro de produção e debate. Apesar de ser uma idéia antiga do produtor cultural Aluízio Câmara e dos artistas plásticos Flávio Emanuel, Márcio Almeida e Maurício Silva, só agora o projeto foi viabilizado.

Outra idéia que deve sair do papel é o ‘braço’ do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães que deve funcionar no Pátio de São Pedro. O projeto arquitetônico já está pronto. A previsão é que o lugar seja aberto no fim do primeiro semestre. O objetivo do novo museu é apresentar o trabalho artistas que ainda não teriam espaço na sede do Mamam.

De certa forma, o surgimento de tantos espaços ‘alternativos’ para produção e exibição da arte reflete a falta de apoio institucional para abrigar o número crescente de novos talentos pernambucanos. Uma das maiores lacunas sentidas por esses artistas é o Prêmio Pernambuco de Artes Plásticas: Jovens Talentos, organizado pelo artista Raul Córdula, para o Estado de Pernambuco, em 1999.

Apesar de ter assumido a Secretaria de Cultura garantindo manter todos os projetos bem-sucedidos deixados por Carlos Garcia, Raul Henry, ignorou o salão dos jovens. O presidente da Fundarpe, Bruno Lisboa, garante, outra vez, que o evento volta a acontecer em 2002. O projeto ocorreria junto ao Salão de Artes Plásticas de Pernambuco. Resta saber, depois de tantas promessas, o que vai realmente se concretizar. Na dúvida, é provável que os artistas continuem trabalhando por conta própria. (D.M.B.)

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Jornal do Commercio
Recife - 16.12.2001
Domingo