Dircon reconhece o problema, porém, devido à retração do mercado de trabalho, decidiu tratar o assunto com tolerância e flexibilidade, controlando a atividade à distância
Um triângulo para ordenamento de trânsito nas proximidades da Praça F. Pessoa de Queiroz, no bairro de Santana, está se consolidando como ponto de venda de espetinhos no Recife. Formalmente, os comerciantes não poderiam ocupar o espaço (área pública), porém, devido à retração do mercado de trabalho a Prefeitura do Recife decidiu tratar o assunto com uma dose de tolerância e flexibilidade.
“Percebemos a ocupação desde o começo deste ano. Há cerca de um mês conversamos com os barraqueiros e proibimos o uso de mesas e cadeiras. Estamos sensíveis ao problema do desemprego, mas é preciso ter um mínimo de ordenamento”, declara a diretora de Controle Urbano e Ambiental (Dircon), Fernanda Costa. Segundo ela, a Prefeitura já ordenou a atividade – venda de espetinhos e cachorro quente em carrocinhas – na Avenida Boa Viagem.
Quando esteve em Santana, a Dircon contabilizou 12 carrinhos e reduziu o número para sete. Os comerciantes afirmam que a quantidade de carrinhos chega a 11, porém nem todos trabalham nos mesmos dias. Na última quarta-feira havia oito comerciantes instalados no local. Fernanda Costa afirma que a maior incidência da atividade é verificada em bairros mais populares da cidade, como Engenho do Meio e Cordeiro.
“O entorno da praça do Engenho do Meio fica cheio de vendedores de espetinhos, com mesas e cadeiras. Na frente da Sala de Reboco (casa de shows localizada no Cordeiro), o passeio público é obstruído por mesas e cadeiras”, exemplifica. A mesma situação se repete na frente do Clube Português, no Espinheiro, nos dias de festas.
Alina de Castro, uma das vendedora de espetinho de Santana, gostaria que a atividade fosse legalizada pela Prefeitura. Ela mora na Praça de Casa Forte e trabalhava na secretaria de um colégio particular do bairro. Saiu da escola há três meses e para sustentar as duas filhas comprou um carrinho e passou a vender petiscos na rua. “Vivemos no sufoco, com medo de perder tudo a qualquer momento, não estamos aqui para brincar”, declara Alina.
Outro defensor da legalidade dos carrinhos é o representante comercial Roberto Gabrielle, cliente cativo dos vendedores de petisco de Santana há três meses. “Venho para cá de segunda a sexta-feira, esse é um ponto de diversão classe A, tranqüilo, sem brigas e ao ar livre”, descreve Roberto Gabrielle, morador do Fundão.
Fernanda Costa aponta outra forma de uso indevido do espaço público: as barracas encostadas no gradil de logradouros como ocorre na Praça do Derby (barracas e tabuleiros para venda de comidas, bebidas e outros artigos) e no Parque da Jaqueira (barracas para venda de frutas). “No Derby a situação não é tão complicada porque os comerciantes não usam mesas e cadeiras. Na Jaqueira, os fiscais já estiveram lá e proibiram a colocação de cadeiras obstruindo a calçada”, informa.
Ela disse que a questão será contemplada no Projeto de Requalificação dos Espaços Públicos. “Essas áreas de convivência são prioritárias para a prefeitura. Vamos definir que tipo de adequação pode ser dada”, declara.
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