Comerciantes dizem que recorreram ao mercado informal depois de amargarem o desemprego
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A maioria dos vendedores de espetinho de Santana trabalhava no mercado formal, com carteira assinada, antes de comprar o carrinho de petiscos e ocupar a rua. Gilberto José do Nascimento, 22 anos, é um deles. Casado e pai de um filho, ele trabalhou um ano e três meses como entregador de água mineral. “Fiz um acordo com o patrão e deixei o emprego. Aqui eu ganho mais dinheiro”, garante o rapaz.
Ele investiu R$ 2,5 mil na compra do carrinho, guarda-sol e demais acessórios há cerca de seis meses. “Ganho mais de R$ 150 por dia, depende do movimento. O público é maior de quinta a sábado. Todo mundo come aqui, tenho clientes médicos e engenheiros”, diz Gilberto José, morador do Monteiro. Os comerciantes chegam ao local por volta das 16h e ficam até 1h ou 2h da manhã.
Alberto de Lima Costa, 23 anos, morador de Casa Forte, trabalhou 11 meses numa loja de informática e foi demitido há quase oito meses. Assim que ficou desempregado, comprou o carrinho e foi vender espetinhos em Boa Viagem. “Passei quatro meses lá, mas a prefeitura definiu que cada carrinho tinha de ficar a 200 metros do outro. Então resolvi trabalhar mais perto de casa”, diz. Ele comercializa em Santana há cerca de quatro meses.
“Gostaria que a prefeitura liberasse banquinhos. Temos muitas clientes já senhoras que precisam sentar”, afirma Alberto de Lima, casado e pai de quatro filhos. Atualmente, cada vendedor coloca um banco de plástico ao lado do carrinho. “Quando um da gente está sem cliente e o outro tem mais de um, emprestamos o banco.”
Todos sugerem uma reunião entre eles, a Companhia de Serviços Urbanos (Csurb) e a Diretoria de Controle Urbano e Ambiental (Dircon) para discutir um disciplinamento da atividade. “Nós já empregamos outras pessoas, nossos funcionários recebem mais do que o salário mínimo”, ressalta Gilberto José.