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BIOLOGIA MARINHA II
Ouriço é rico em gordura

Pesquisador da UPE estima que de 20% a 30% do peso corporal do animal sejam compostos pelas gônadas

A parte comestível do ouriço, que tem o corpo revestido por espinho, são as gônadas. Compostas pela parte reprodutiva do animal, elas terão valor nutricional avaliado pelo químico Adilson Chaves, professor da Universidade de Pernambuco (UPE) em Nazaré da Mata.

O projeto, com duração de um ano, pretende analisar o teor de proteínas, carboidratos e lipídeos (gordura) do alimento. Numa observação macroscópica, ou seja, a olho nu, o químico teve a impressão de que as gônadas do ouriço são ricas em gordura. “Provavelmente também são em proteína.”

A pesquisa analisará o valor nutricional das cinco espécies do animal registradas em Pernambuco pelo professor Múcio Banja, também da UPE de Nazaré da Mata. São elas o ouriço preto (Echinometra lucunter), roxo (Lithechinus variegatus), branco (Tripnenstes ventrilosus), satélite (Eucidaris tribuloides) e o do Arquipélago de Fernando de Noronha (Diadema brasiliensis).

O pesquisador, com doutorado em biotecnologia em Portugal, estima que de 20% a 30% do peso corporal do ouriço sejam compostos pelas gônadas. O animal tem esqueleto interno de calcário, revestido por tecido epitelial. Os espinhos, explica Múcio Banja, são o prolongamento da pele. Pontiagudos, eles auxiliam na locomoção e na proteção do ouriço contra predadores naturais, a exemplo dos tubarões.

Outra curiosa característica do ouriço é um sistema hidrovascular. É por meio da pressão da água, que circula através de canais secundários, que o animal movimenta seus pés ambulacrários. Esses filamentos, com ventosas na extremidade, se localizam entre os espinhos do ouriço. Para observá-los a olho nu, pode-se colocar o animal num recipiente transparente cheio da água do mar. Fora dela, no entanto, os pés ficam retraídos.

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Jornal do Commercio
Recife - 16.12.2001
Domingo