LG_jc.gif (3670 bytes)

INDÚSTRIA FARMACÊUTICA
Genérico já não empolga

Empresários do setor farmacêutico tiveram suas expectativas frustradas. Eles esperavam que a chegada do novo produto aumentasse a venda de medicamentos em geral. Isso não ocorreu

SÃO PAULO – A entrada dos medicamentos genéricos no Brasil é um sucesso. Há um ano e meio no mercado, a venda desses medicamentos cresce exponencialmente, cerca de 15% ao mês. Respondem por cerca de 5% do mercado total, uma fatia aparentemente pequena, mas significativa quando se considera a pouca familiaridade dos brasileiros com a novidade. Apesar do bom desempenho, os genéricos têm causado certa frustração no meio empresarial.

Antes de seu lançamento, a expectativa era de que eles pudessem ampliar o mercado, aumentando as vendas de medicamentos em geral. Esperava-se principalmente que os genéricos conseguissem atrair, com seus preços menores, consumidores que não costumavam comprar remédios. O que aconteceu até agora, no entanto, foi simplesmente uma substituição de um tipo de produto por outro.

“No começo, o genérico foi tido como salvador da pátria”, afirma Omilton Visconde Júnior, presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma). Mas ele não resolveu o problema de acesso da população mais carente. É aí que reside o grande problema.

Mesmo com preços 40% ou 50% menores do que os medicamentos originais, os genéricos continuam inalcançáveis para a grande maioria da população brasileira. A renda dessa população excluída é tão reduzida que quem não tinha R$ 20 para comprar um remédio, continua sem ter os R$ 12 ou R$ 10 necessários.

Para Jairo Yamamoto, presidente do laboratório Medley, o problema do aumento de consumo esperado com os genéricos é que as pessoas costumam confundir o efeito renda com o efeito preço.

A venda de medicamentos melhora à medida que a renda melhora diz ele. A redução nos preços ajuda a melhorar a renda dos que já adquiriam o produto. Em outras palavras, o que diz é que o problema do baixo consumo de medicamentos não está no preço propriamente dito, mas sim na escassa renda dos brasileiros.

O gerente geral da área de regulação e monitoramento de mercado da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Pedro Bernardo, discorda da avaliação feita pelos fabricantes. Na sua opinião, o movimento causado pela entrada dos genéricos, que ainda têm participação muito pequena no mercado, é insuficiente para reverter a tendência de compras. O problema, afirma, é que os fabricantes trabalham com dados da IMS, empresa de auditoria da indústria farmacêutica, que não engloba todo o mercado.

“É impossível que não tenha sido agregado nenhum consumidor novo”, afirma. Como a informação é muito importante nesse mercado, diz, quem se beneficiou antes com a entrada dos novos produtos foram as classes A e B, que têm maior acesso às notícias. “Depois os outros ficam sabendo e passam a comprar.”

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 16.12.2001
Domingo