Com a onda das lojas de luxo, os clientes vips estão fazendo o sentido oposto dos shoppings centers. A maioria já não gosta mais de enfrentar o ‘sufoco’ climatizado dos centros de compra. “No shopping é tudo muito igual, estou cansada. Vale a pena pagar um pouco mais caro para ter um atendimento personalizado. Agora só freqüento os shoppings para lazer”, disse a comerciante Maria de Jesus Silva, enquanto desembolsava R$ 1,3 mil por um vestido de festa da Musa Maison.
Para Guilhermina Coutinho, sócia-proprietária da loja de bolsas e sapatos femininos Josefinna, os shoppings se popularizaram. “Numa galeria ou maison o cliente não tem problema de estacionamento. É muito mais confortável”, disse.
Isso não quer dizer que os centros de compras não ofereçam serviço e conforto. Na verdade, os shoppings ainda concentram as mais famosas marcas do mercado nacional. Mas, a maioria delas não oferece etiquetas como Empório Versacce, Erchovitch, Donna Karan, que, por princípio, não se misturam à miscelânea de opções dos centros de compras. “Até mesmo para conseguirmos comercializar essas marcas os donos chegam até vir às lojas que irão vender seus produtos”, informa a dona da Luna Collection, Alana Nunes.
Lucena, da Madison New York, explica que estilistas como Ricardo Almeida exigem exclusividade. Ou seja, se uma maison vende sua marca num ponto da cidade, num raio de alguns quilômetros nenhuma outra loja poderá vendê-la. “Existem lojas caras nos shoppings, como a Forum. No entanto, ela faz o perfil pois o seu forte é jeans, que é uma roupa mais usual”, completa.
O economista Alexandre Rands explica que os centros de compra começaram a se popularizar há quatro anos, pois a classe mais baixa conseguiu aumentar seu poder de compra. Em contrapartida, o Rands afirma que o aumento do dólar forçou a chegada das lojas mais sofisticadas. “Muita gente deixou de ir para o exterior para comprar.”