O zagueiro e capitão do Atlético/PR, Nem, foi o destaque do Pernambucano de 91 pela Desportiva Vitória. Antes de se destacar no Tricolor das Tabocas, foi rejeitado por Sport, Náutico e Santa Cruz
JOÃO MARCELO MELO
Um dos protagonistas da final do Brasileirão, que começa hoje, é pernambucano e já foi rejeitado pelos três grandes clubes do Recife. O zagueiro Nem, capitão do Atlético/PR, surgiu para o futebol profissional em 91, na equipe da Desportiva Vitória. Antes, havia batalhado por espaço no Sport, no Náutico e no Santa Cruz – não acreditaram no seu potencial.
Rinaldo Francisco de Lima, o Nem, 28 anos, nasceu no Recife, mas começou a mostrar seu talento na Liga amadora de Vitória de Santo Antão, batendo bola no estádio que fica próximo ao Monte das Tabocas, local histórico onde os holandeses começaram a ser expulsos de Pernambuco. Em 91, foi eleito a revelação do Campeonato Pernambucano, jogando como volante da Desportiva Vitória, na melhor equipe que o clube já formou. Ainda em 91, foi vendido ao Corinthians Alagoano e logo depois ao Botafogo/SP. Em 93, o São Paulo comprou seu passe.
Este ano, emprestado ao Atlético/PR, foi campeão paranaense, ganhou a condição de titular e de capitão da equipe. Agora, tem a chance de conquistar o título mais importante da sua carreira, e já reivindica uma vaga na seleção brasileira.
QUASE DESISTIU – Mas até seu talento ser reconhecido, Nem pensou em desistir da idéia de ser jogador de futebol. “No começo eu não acreditava que poderia seguir a carreira. Nenhum clube do Recife me deu oportunidade, me deixou jogar. Fiz teste no juvenil do Náutico, passei, mas como não tinha dinheiro para ir treinar, fui embora. Nos juniores do Santa Cruz, disseram que eu não servia. No Sport, queriam me aproveitar, mas como não me deixaram morar na concentração, eu não tinha como ficar.”
Desmotivado, Nem recebeu um incentivo ilustre. “O presidente do Vitória é que foi me buscar em casa”, conta o jogador. Na época, quem estava à frente do Tricolor das Tabocas era Paulo Roberto Arruda, que relembra o episódio. “Nem passou um período desanimado. Era bom jogador, mas os clubes não o observavam como deviam. Elpídio Moura, preparador físico do Vitória, me chamou para ir na casa dele convencê-lo a jogar. Conversamos e ele tomou pulso para seguir a carreira.”
Bartolomeu Souza, na época treinador dos juniores do Vitória, destaca a personalidade que Nem apresentava em campo. “Ele jogava contra Sport, Náutico e Santa Cruz como se fossem times de várzea. Tinha um prazer especial de jogar contra os grandes da Capital, que não lhe tinham dado oportunidade.”
Nem chegou ao São Paulo como volante. Por força das circunstâncias, virou zagueiro. Mas um zagueiro diferenciado. “Na época, o São Paulo tinha um volante muito bom, chamado Mona. Muricy Ramalho, que era o treinador, sugeriu que eu fosse aproveitado na defesa. Mais tarde, quando passaram a usar mais o esquema 3-5-2, disseram que eu caía como uma luva, porque tenho habilidade para sair para o jogo.”
No ano passado, Nem desembarcou no futebol paranaense. Pelo Paraná, conquistou o Módulo Amarelo da Copa João Havelange. Este ano foi contratado pelo Atlético/PR. “Eu comparo a estrutura do Atlético à do São Paulo. Um clube sério, que investe nas categorias de base e faz um trabalho profissional. Falta só um título nacional para ser visto como um clube grande.”
Se tudo der certo para a equipe do Atlético/PR, Nem, no próximo domingo, como capitão do time, estará erguendo a taça de Campeão Brasileiro de 2001.