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COMPORTAMENTO
II
Contar a verdade depende
da avaliação de cada família
Não há motivo para preocupações entre pais que tenham, por ventura, destruído as fantasias natalinas de seus filhos neste final de ano. Ao contrário da comoção coletiva que se verificou na Austrália, onde se acredita até em duendes e fadas e o respeito por essas crenças está assegurado por normas, as crianças pernambucanas não correm riscos maiores do que um breve desapontamento se descobrirem que o bom velhinho não é mais que uma lenda. “A não ser que seja extremamente rude, o que um adulto não costuma ser quando trata de fantasias infantis, não há razões para traumas”, aponta a psicóloga Guiomar Carvalho.
Apesar de afirmar que adultos não têm o direito de definir em que momento devem ser encerradas as fantasias, ela diz que as crianças têm a capacidade de substituí-las. “O adulto deve apenas educar, dar limites e carinhos, a criança é quem vai definir o momento de deixar a capacidade infantil de fantasiar e sentar os pé no chão. Por isso, geralmente ocorre uma fase de estranhamento no início da adolescência”, diz ela, que explica a fantasia como um elemento fundamental para a estruturação psíquica infantil.
Quando o sonho se exacerba, torna-se demasiado, por exemplo, num adolescente que ‘recusa’ a realidade, haja talvez motivo para cuidados. “Quando se perde a realidade, pode-se estar diante de um caso patológico. A partir de um momento, não se pode viver uma fantasia como sendo real, algo que pode ser até patológico”, diz outra especialista, a psicóloga Rejane Neiva, ressaltando que esses casos são raros. “Admiração pelo Papai Noel na adolescência pode significar apenas uma emoção gostosa, uma saudade da infância.”
Nas escolas, para não desapontar ou incentivar as crianças em algo a respeito do qual elas, num futuro, podem se sentir traídas, uma das posturas adotadas é a neutralidade. “Quando ocorre o assunto Papai Noel, a gente não enfatiza, nem desmente. Abrimos uma conversa para que eles expressem o que acreditam. Definir se existe ou não é uma coisa que compete a cada família”, diz Ana Rosa Zírpoli, coordenadora pedagógica da Escola Encontro, das Graças. “Algumas crenças dão segurança e fortalecem as crianças. Se quebradas bruscamente elas podem derrubar referências importantes”, aponta a coordenadora em cuja escola a comemoração de Natal não é centrada na figura do velhinho. “Trabalhamos com o verdadeiro sentido do Natal, a solidariedade, a confraternização, respeitando a religião de todos. Por isso, eles confeccionam os presentes para a troca.” (B.A.)
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Jornal do Commercio
Recife - 16.12.2001 Domingo
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