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SERVIÇO Como apoiar o seu familiar que está sofrendo com um câncer em estágio avançado
Recentemente, o Departamento de Controle e Prevenção recebeu uma obra publicada pelo American College of Physicians (Colégio Americano de Médicos) que traduzida seria: Guia de Cuidados Domiciliares para Pacientes com Câncer Avançado: Quando Qualidade de Vida é a Finalidade Primária dos Cuidados. Ele ensina como melhor lidar, em casa, com o seu parente ou amigo que está sofrendo com câncer em estágio avançado. Devido à importância da obra, julgamos oportuno apresentar, durante as próximas semanas, alguns dos seus conselhos.
De início, a obra sugere seis passos que devem ser seguidos para poder se tornar um provedor mais efetivo de cuidados domiciliares.
São eles:
1. Trabalhar e comunicar-se efetivamente com o paciente;
2. Trabalhar juntamente com os profissionais de saúde;
3. Envolver outros membros da família e amigos de trabalho;
4. Ajudar a colocar os negócios pessoais do paciente em dia;
5. Apoiar os interesses espirituais do paciente;
6. Cuidar das suas próprias necessidades e sentimentos.
No desenvolver da série de artigos, vamos analisar cada um destes pontos. Por hora, iniciamos com: “Trabalhando e comunicando-se efetivamente com o paciente”. Essa, talvez, seja a tarefa mais importante e desafiante. A pessoa que você está cuidando precisa lidar com os efeitos físicos da doença e dos medicamentos, bem como os desafios psicológicos e sociais de viver com o câncer em estágio avançado. Isso talvez dificulte a sua participação no plano normal de cuidados domiciliares traçado. De qualquer forma, sua tarefa é de envolvê-lo, tanto quanto possível, na tomada de decisões e na execução do plano. Ter que lidar emocionalmente com a realidade do seu prognóstico, e isso incluem os esforços de:
1. Ajudar, para que a pessoa aceite o fato de que está com câncer avançado: algumas pessoas lidam com o problema agindo como se ele não existisse. Isso pode ser saudável quando ajuda o paciente a ter uma vida tão normal quanto possível. Pode ser danosa, porém, se a pessoa fizer coisas que somente ajudam a piorar o caso – como evitar tomar o remédio ou participar de atividades que são fisicamente perigosas.
Algumas vezes o que parece “negar o fato” é apenas uma tentativa por parte do paciente de proteger seus familiares. Neste caso, devemos esclarecer ao paciente que estamos prontos para falar sobre todos os aspectos da doença, mesmo que isso seja difícil para ambas as partes. O que é imprescindível é termos objetividade e uma idéia clara do que está acontecendo com o paciente no que se refere à doença.
2. Criar um clima que encoraja e apóia o compartilhamento de sentimentos: devemos falar sobre tópicos importantes e sensíveis em lugar calmo e no tempo apropriado – não na hora de discórdias familiares. Para que isso ocorra, precisa-se apenas comunicar sua disponibilidade. Deixe que o paciente estabeleça quando, com quem, e que sentimentos serão compartilhados. Assim, o paciente terá o controle sobre esta parte da sua vida, pelo menos.
3. Compreender que homens e mulheres muitas vezes se comunicam de maneira diferente, e levar estas diferenças em consideração: mulheres tendem a ser mais abertas em expressar seus sentimentos. Se você for um homem que está tomando conta de uma paciente, esteja ciente que quando ela compartilha sentimentos, você pode estar respondendo com conselhos quando ela necessita de apenas apoio e compreensão. Se você for uma mulher tomando conta de um paciente, seja ciente que ele expressa seus sentimentos de uma maneira diferente e deve prestar atenção especial as coisas que são importantes para ele.
4. Ser realista e flexível sobre o que espera concordar ou comunicar com o doente: pessoas com câncer avançado tendem a compartilhar muitas coisas, mas talvez não com apenas uma pessoa. Deixe o paciente falar sobre qualquer coisa com quem desejar. “Compartilhar” nem sempre quer dizer falar. Lembre que a pessoa com quem você talvez passou muitos anos de vida não vai mudar o seu estilo de comunicação tão facilmente. Talvez prefira escrever sobre seus sentimentos ou expressá-los numa atividade qualquer. O paciente pode externar seus sentimentos em formas não-verbais, tais como gestos ou expressões, tocando ou simplesmente pedindo a sua presença.
5. Ajudar o paciente a lidar com a ansiedade e a depressão: pessoas com câncer podem se tornar ansiosas no que se refere aos procedimentos médicos, sua doença ou seu futuro. A ansiedade pode ser um efeito colateral da medicação ou mesmo da doença em si. Muitas pessoas sentem depressão em algum ponto da sua doença. Devemos procurar ajuda em como controlar pensamentos e sentimentos depressivos, especialmente no seu início.
Quando você e o paciente estão em discórdia sobre temas importantes é importante lembrar que você e o paciente não vão sempre concordar. Vocês podem estar em discórdia sobre assuntos como quando, como e o que compartilhar, mas deve-se lembrar que a vida é assim e nem sempre tais assuntos são resolvidos. Neste caso, as sugestões seguintes podem ajudar:
1. Explicar abertamente suas necessidades. Isto deixa o paciente sentir-se mais livre e não amarrado às decisões tomadas.
2. Escolha as suas batalhas cuidadosamente. Economizando tempo e esforços, deixando os conflitos menores passarem e fixando-se nos assuntos realmente importantes para o tratamento do paciente.
3. Finalmente, deixe o paciente tomar tantas decisões quanto possíveis. Tirando a sua capacidade de decidir pode-se minar seus sentimentos de controle, que pode interferir com a habilidade de uma pessoa em lidar com outros aspectos de uma doença desgastante. Abordaremos o segundo ponto, “Trabalhar juntamente com profissionais de saúde”, na próxima semana.
Fonte:
Departamento de Controle e Prevenção Jaime de Queiroz Lima, médico-chefe do DCP
James Anthony Falk, Ph.D., assessor do Grupo de Pesquisa
Carlos Roberto Carvalho Leite, cirurgião oncológico – HCP
Internet ® http://www.hospcancer-pe.org.br
Contato: Isabel Melo e Jacqueline Tavares (isabel@hospcancer-pe.org.br) Fone: 3423.2088 ramal 188 (07:00 às 13:00)
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