O líder palestino está confinado em Ramallah desde que Israel destruiu seus helicópteros duas semanas atrás. Tanques de guerra israelenses também vigiam seu escritório
HADEEL WAHDAN
AE/Associated Press
RAMALLAH – De seu escritório, Yasser Arafat pode ver blindados israelenses, alguns a apenas 200 metros de distância. Nos últimos dias, tropas israelenses ocuparam grandes partes da cidade de Ramallah, Cisjordânia, onde o líder palestino está confinado desde que Israel destruiu seus helicópteros duas semanas atrás.
Israel está espremendo Arafat, ostensivamente para forçá-lo a combater militantes islâmicos. Entretanto, assessores de Arafat e alguns analistas israelenses dizem que o objetivo final do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, é expulsar Arafat.
Sharon tem dito que Arafat não é alvo de expulsão ou assassinato, mas tem repetidamente rotulado Arafat de terrorista, alguém com quem ele não pode negociar. O gabinete israelense declarou que a Autoridade Palestina é uma entidade que apóia o terrorismo e esta semana cortou todos os contatos com Arafat, afirmando que ele se tornou irrelevante.
Vários ministros do gabinete, incluindo membros do Partido Likud, de Sharon, têm defendido abertamente a derrubada de Arafat, e um líder de uma facção ultranacionalista tem sugerido que abandonará a coalizão caso a exigência não seja atendida.
Numa entrevista publicada na sexta-feira, o ministro do Exterior israelense, Shimon Peres, um moderado no governo de centro-direita, disse ter advertido a Sharon para agir com moderação.
“Perguntei a ele (Sharon), ‘Suponha que Arafat desapareça, o que acontecerá então?’ Afirmou Peres ao diário Yediot Ahronot. “Se varrermos Arafat daqui, teremos problemas com o mundo árabe e o Egito e a Jordânia irão romper os laços conosco.”
As últimas ações de Sharon, provocadas por duros ataques de militantes islâmicos que mataram 36 israelenses em duas semanas, deixaram Arafat imobilizado e cercado.
Em 3 de dezembro, Israel destruiu três helicópteros de Arafat estacionados num heliporto nas proximidades de seu complexo na Cidade de Gaza. Arafat estava em Ramallah no momento e desde então não é capaz de sair da cidade. Na noite de quarta-feira, tanques israelenses penetraram profundamente na cidade e assumiu o controle de vários bairros em resposta a um ataque contra um ônibus promovido por militantes islâmicos que deixou 10 israelenses mortos.
Em simbólicas ações, Israel tirou do ar a rádio oficial Voz da Palestina e estabeleceu um posto militar dentro da casa de Marwan Barghouti, um dos principais assessores de Arafat.
Nos escritórios de Arafat desde a sexta-feira, o ambiente é tenso e resignado. Muito de seu pessoal foi mandado para casa na semana passada, depois que um míssil disparado por um helicóptero israelense caiu a apenas 50 metros do escritório. Agentes de segurança com walkie talkies plantados próximos aos escritórios informam aos guarda-costas no interior sobre os últimos movimentos dos tanques israelenses. Do segundo andar, onde Arafat tem seu escritório e quartos, o ranger dos tanques pode ser ouvido de tempos em tempos.
Assessores dizem que Arafat, que não deixa o local desde terça-feira, passa seus dias falando com diplomatas e líderes mundiais por telefone, acompanha os acontecimentos pela televisão e lê o Corão, o livro sagrado muçulmano, uma obrigação para muçulmanos durante o mês sagrado do Ramadã.