LG_jc.gif (3670 bytes)


No Pé da Conversa
Lenivaldo Aragão

O soldadinho

Fim da década de 80. O estádio do Arruda botava gente pelo ladrão. Disputava-se mais um Clássico das Emoções, com as duas equipes na ponta dos cascos, como se diz nas corridas de cavalos. O Náutico tinha em sua equipe jogadores de expressão, como o goleiro Maury, o meia Augusto, e os atacantes Bizu e Nivaldo, etc. No time do Santa Cruz pontificavam, entre outros, Sérgio China e Marco Antônio.

À frente do clássico, o alagoano que ‘virou’ pernambucano Manuel Amaro de Lima que, entre outras coisas, notabilizou-se por ter dirigido o jogo Santos x Vasco em que Pelé fez seu milésimo gol. Nas bandeirinhas, o hoje advogado criminalista Ernesto Cavalcanti e Francisco Domingos, que atualmente dirige a Comissão de Arbitragem da Federação Pernambucana de Futebol.

O jogo, de acordo com o bom momento de que as equipes desfrutavam, estava movimentadíssimo, mas o time da casa não conseguia se impor diante dos visitantes. No fim do jogo, o placar do Arruda estampava a vitória do Náutico sobre o Santa Cruz pela contagem de 3 a 1.

Só que a torcida do Santa não aceitou tranqüilamente a derrota, pois achou que a arbitragem tinha sido prejudicial à sua equipe. Haja vaia e os torcedores mais exaltados jogavam no trio tudo o que podiam. Manuel Amaro e Ernesto Cavalcanti trataram logo de dar o fora, sumindo de túnel adentro, enquanto Francisco Domingos ficou no gramado concedendo entrevistas, chamando para si a atenção da torcida do Santa.

Na época não havia essa proteção à entrada dos túneis, que evita que as pessoas sejam atingidas pelos objetos contundentes que partem das arquibancadas.

Quando Francisco Domingos, com seu 1,59 metro de altura, tratou de se escafeder, não pôde penetrar no túnel, pois os tricolores jogavam contra ele tudo o que estava ao seu alcance. Na ânsia de se proteger, o bandeirinha terminou entrando numa barra, engalfinhando-se na rede. Ali, era alvo fácil para os revoltados corais, que não o poupavam. E tome garrafada – naquela época ainda era permitida a circulação de garrafas pelas arquibancadas – para desespero de Chico Domingos.

Foi preciso que o Batalhão de Choque da Polícia Militar o protegesse, com seus escudos protetores. Logo providenciou-se uma túnica de policial e um capacete para o bandeirinha, que em seguida deixava o estádio no carro dos policiais, até escapar da fúria da torcida. Mas que foi um sufoco, foi!

UM ESCLARECIMENTO DO COLUNISTA

Domingo passado aborreci, sem que tenha sido esta minha intenção, é claro, um antigo dirigente do Treze, de Campina Grande, Hildo Amaral, hoje exercendo a função de comentarista esportivo na Rainha da Borborema, onde é estabelecido comercialmente e a respeito do qual nada sei que o desabone.
Reproduzi, procurando dar um toque engraçado, dentro do espírito da coluna, uma das muitas histórias constantes do livro Vocabulário Popular e Humor do Futebol, do ex-jogador Luizinho Bola Cheia (professor Manoel Luís Melo), publicado pela editora da Universidade Federal da Paraíba, com prefácio do doutor (Educação Física) Estélio H. M. Dantas.
Jamais passou-me pela cabeça assacar contra a honra do hoje comentarista Hildo Amaral, a quem publicamente peço desculpas. O fecho da matéria em que falo em CPI pode ter sido inoportuno, reconheço, mas quanto à história em si tirei-a do livro, como aconteceu com outros ‘causos’ aproveitados do mesmo e de outras publicações, sem deixar de citar a fonte.
Admiro o Treze, sem cair no lance demagógico de dizer que sou um torcedor trezeano – embora pernambucano, morei na infância na Liberdade (Rua Martins Júnior) e na Praça do Trabalho.
Assim, sempre que tenho oportunidade focalizo na coluna, tanto o Treze como o Campinense, como aconteceu no episódio em questão que espero se encerre com este esclarecimento.

Varejo

O súbito falecimento de Gildo Vilaça tem sido lamentado no ambiente futebolístico. A última vez que o vi foi no Carnaval deste ano, em plena Rua do Bom Jesus, dançando ao ritmo de uma zabumba, que ficou durante toda uma noite sob seu comando. *****

Por 41 votos a 16, Pedro Luiz derrotou Edson Peixoto e dirigirá a ACDP (Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco) durante dois anos, tendo como vice-presidente Aldeci Lima, que há um tempão ocupava a presidência. *****

Mesmo para quem não é habituê, uma boa pedida é comparecer esta tarde ao Jockey Club de Pernambuco para acompanhar a movimentação do Bentão.

Varejo 2

De esmola grande cego desconfia, diz o adágio. Eu estava até estranhando a calmaria que vinha existindo na polêmica Campeonato Pernambucano x Campeonato do Nordeste. A Liga fez fincapé e não permitiu que Náutico, Santa Cruz e Sport entrassem logo no Estadual, o que só acontecerá a 15 de abril. Foi só mais um round. *****

Um grupo de jornalistas – esportivos ou não – alvirrubros homenageará André Campos, quarta-feira, com um jantar no La Prensa, em Casa Forte. Lista de adesões com Márcio Maia. Sérgio Aquino será especialmente convidado. *****

Revelação da Fórmula Truck, o pernambucano Beto Monteiro tenta subir ao pódio, hoje, em Curitiba, na última corrida do ano.

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 16.12.2001
Domingo