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RUMO A 2002
Drama das prévias incomoda o PT

Articulações para evitar prévias expõem fragilidade da democracia interna no PT e forçam o recuo do grupo que defendia o lançamento imediato, por aclamação, da candidatura de Lula

SÉRGIO MONTENEGRO FILHO

As discussões que antecederam o 12º Encontro Nacional do PT, sobre a necessidade de realização das prévias internas para a escolha do candidato do partido à Presidência da República, expuseram, entre outros aspectos, o momento de fragilidade por que passa o processo de democracia interna da legenda. Sempre enaltecido pelos petistas, o debate equilibrado entre as várias tendências do partido – que envolve a própria militância – não deixou de existir, mas parece ter sido relegado a segundo plano diante da perspectiva concreta de poder.

O encontro nacional desse fim de semana terminou decretando a realização das prévias, mas ficou registrada a insatisfação de setores do PT quanto à adoção desse instrumento. No velho estilo rolo-compressor, esses setores defendiam o lançamento da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva por aclamação, ainda que dois outros petistas – o senador Eduardo Suplicy (SP) e o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues – estivessem pleiteando a indicação para representar o partido na corrida presidencial.

O fato é que a defesa intransigente do nome de Lula – feita, principalmente, por integrantes da tendência Articulação Unidade na Luta, à qual pertence o presidente de honra do PT – dispensando a consulta formal à militância, terminou transformando a discussão das prévias em pauta prioritária no encontro nacional da legenda. A ponto de, logo no primeiro dia (sexta-feira), elas terem sido aprovadas, numa tentativa de dispersar o clima de mal-estar criado dentro do partido.

Pesaram na decisão em favor das prévias as contestações de alguns caciques petistas à alegação de que, por ser o nome favorito, Lula poderia sofrer um “desgaste desnecessário” se disputasse uma eleição interna antes do pleito presidencial. Maior desgaste, segundo observaram, seria impedir que outros líderes importantes do PT submetessem seus nomes à apreciação da militância.

“O PT é um partido que nasceu do debate democrático, lutou contra a ditadura, lutou pelas diretas. O maior desgaste para nós seria não realizar as prévias”, avalia o líder do partido na Câmara Federal, deputado Walter Pinheiro (BA). O parlamentar baiano admite que não considera o nome de Suplicy o melhor para representar o PT na disputa, mas nem por isso acha correto vetar a pré-candidatura do senador ou de quem quer que reúna condições de se inscrever nas prévias. “Fica mal para o PT mudar a regra do jogo no final da partida. Suplicy tem todo o direito de disputar a indicação com Lula”, afirma, acrescentando, sem citar nomes, que pessoas no partido estariam apostando na exclusão de outros nomes para usar a atitude como discurso político.

Apesar das prévias representarem um instrumento democrático, as regras estabelecidas para quem deseja disputá-las não facilitam a participação. Para submeter seu nome, um militante tem que ter sua inscrição respaldada por um mínimo de 40% dos integrantes do diretório nacional do partido. Um número significativo de assinaturas para quem não têm tanto trânsito dentro do PT nacional.

Defensor da candidatura de Lula, o presidente nacional do partido, José Dirceu (SP), anunciou na sexta-feira, como um “sinal de paz”, que a regra não será cumprida à risca. Segundo ele, apesar de Eduardo Suplicy contar com o apoio de apenas 15% dos diretorianos, terá sua inscrição aceita, assim como Edmilson Rodrigues. Em uma comparação com Lula, se as regras fossem levadas a cabo, tanto Suplicy como Rodrigues teriam dificuldades para colocar suas pré-candidaturas, uma vez que Lula foi inscrito com o apoio de cerca de 80% do diretório do partido.

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Jornal do Commercio
Recife - 16.12.2001
Domingo