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RUMO A 2002 VI
Oposições no ritmo das incertezas

Mistério sobre projeto político do governador e novela da unidade das oposições são elementos que pesam na definição dos candidatos ao Senado

A novela do palanque único das oposições para 2002 não está embolada apenas na dificuldade de conciliar os interesses de cada partido. As esquerdas estão rodando de lá para cá porque ainda não estão diante do palanque adversário que se montará nas eleições do próximo ano. E não bastassem as incertezas em torno de como os governistas vão se compor para enfrentar as urnas, a oposição ainda precisa suprir alguns obstáculos em que esbarram os nomes que dispõe para o Senado.

O presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire, é candidato declarado à reeleição e o seu partido impõe essa como condição à unidade das esquerdas. O PPS acredita que, em o vice-presidente Marco Maciel (PFL) disputando uma vaga ao Senado, Freire encarnaria, melhor do que ninguém, o candidato “anti-Maciel”. E apostam que nessa posição, o pós-comunista teria uma reeleição tranqüila.

A tese convence alguns oposicionistas, mas os cálculos eleitorais dos mais pragmáticos praticamente rifam Roberto Freire do páreo. A avaliação desses é de que o presidente do PPS se “nacionalizou” demais no cenário político e se distanciou das bases no Estado. Sem falar das últimas experiências majoritárias frustrantes que o pós-comunistas enfrentou.

O senador Carlos Wilson (PTB), também candidato declarado à reeleição, é tido como um nome mais competitivo que o de Freire. Disputou as duas últimas eleições majoritárias – Governo do Estado em 1998 e a Prefeitura do Recife em 2000 – e, embora derrotado em ambas, mantém uma base eleitoral acesa.

Nas articulações que o Partido dos Trabalhadores vem mantendo – até quando consideram o cenário com mais de um palanque oposicionista – Carlos Wilson é o nome certo para a chapa ao Senado. Mas o petebista não arriscará as urnas à reeleição se as oposições saírem com quatro candidatos para senador.

“Eu sou candidato ao Senado, mas não vou para a disputa de qualquer jeito. Não tenho a idéia fixa de ser senador se a minha candidatura não tiver viabilidade eleitoral. Quanto menos candidatos ao Senado, melhor. Essa não é uma disputa com segundo turno. Se nos dividirmos, facilitaremos a vitória dos adversários”, avalia Carlos Wilson.

O deputado estadual José Queiroz (PDT) também é considerado um candidato competitivo para o Senado Federal. Mas, ainda que muitas vezes pose de candidato majoritário, ninguém acredita que seja essa a sua real pretensão. É quase unanimidade entre os oposicionistas que Queiroz pretende mesmo é assegurar a sua reeleição à Assembléia Legislativa e a do filho Wolney Queiroz (PDT) à Câmara Federal.

Em uma composição com mais de um palanque das oposições, no entanto, Queiroz teria que reavaliar o seu projeto. E nesse cenário, até o ex-governador Miguel Arraes (PSB), que já se decidiu pela disputa de deputado federal seria um nome a considerar para o Senado na chapa das oposições.

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Jornal do Commercio
Recife - 16.12.2001
Domingo