Outra discussão surgiu nos bastidores do encontro nacional do PT. Alguns setores começam a analisar as pesquisas pré-eleitorais e questionar até que ponto uma quarta candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva teria fôlego para ser bem-sucedida. Para alguns líderes do partido, é preciso analisar com realismo a necessidade de oxigenação no PT. Eles avaliam que as três derrotas consecutivas e a constante exposição de Lula na mídia não inviabilizam uma nova candidatura, mas não devem simplesmente ser ignoradas.
De olho nos índices de rejeição aferidos pelas pesquisas, esses petistas argumentam que o histórico negativo nas urnas pode desmotivar o eleitor comum a confiar um quarto voto em Lula, optando por um candidato “novo” no cenário político. A oxigenação do partido se daria, por exemplo, com a escolha de outro candidato para representar o PT na disputa presidencial, ou ao menos com a realização de prévias envolvendo mais de uma opção de candidatura.
Do mesmo problema padece o PPS. Exposto há oito anos na mídia, depois de duas derrotas nas urnas, o presidenciável Ciro Gomes tem amargado índices cada vez menores nas pesquisas, mas nem por isso o PPS sinaliza com a possibilidade de escolher outro nome ou abrir mão da disputa em favor de uma aliança mais ampla, inclusive com o PT.
O presidente nacional petista, José Dirceu, tem na ponta da língua um argumento contrário à tese da fadiga do nome de Lula. Ele lembra que em 1989 o petista começou a campanha com 9% e, no final, contava com apenas 15% nas pesquisas. Em 1994 – a eleição mais favorável das três que o PT disputou, segundo Dirceu – Lula obteve um máximo de 41%, e em 1998 jamais ultrapassou Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Não tememos essa tese da fadiga. Lula sempre obteve um desempenho estável e continua forte para a disputa”, conclui.