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RUMO A 2002 V
Delegados derrubam emenda que vetava a aliança com o PL

A emenda que vetava a participação do PL na aliança encabeçada pelo PT foi derrotada no 12º Encontro Nacional do partido, que termina hoje, no Centro de Convenções, em Olinda. A decisão viabilizou a aprovação de um discurso mais light para a política de alianças dos petistas. Segundo o documento, todos os partidos ou grupos dissidentes que fizerem oposição ao Governo Fernando Henrique e defenderem a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva para presidente terão chances de compor a aliança. Os critérios finais, no entanto, deverão ser definidos na convenção nacional do PT, que acontece no próximo ano.

A decisão causou irritação em muitos delegados e representantes do diretório nacional. “A aceitação do PL criou uma confusão no partido. Essa legenda não faz parte da nossa política de governo. Para vencer não precisamos de coligações com o PL, PFL ou PMDB. Podemos conquistar espaço sem abdicar da nossa ideologia”, criticou o ex-presidente do diretório estadual do Rio Grande do Sul e integrante da executiva nacional, Júlio Quadros. O ex-líder do PT na Câmara, deputado Aloizio Mercadante (SP), rebateu dizendo que o PT precisa de alianças e que isso não implicará na perda de identidade do partido.

As emendas que previam a realização de uma Assembléia Constituinte, a suspensão ou o não pagamento da dívida externa e a reestatização das empresas privatizadas também foram derrotadas. Numa disputa acirrada, os argumentos de Mercadante e do presidente nacional do partido, deputado José Dirceu, conseguiram manter os textos do documento básico, onde o PT defende que a dívida externa deverá ser renegociada e que apenas as privatizações do setor energético, Copel (PR) e Furnas (MG), deverão ser revistos.

“Não suspender o pagamento da dívida externa representa querer chegar ao Governo a todo custo para só depois ver o que fazer”, criticou o deputado federal Ivan Valente (SP). Já Dirceu disse que o PT continua contrário às ações do Fundo Monetário Internacional (FMI). No entanto, suspender ou não pagar a dívida é “jogar o País num abismo.”

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Jornal do Commercio
Recife - 16.12.2001
Domingo