ANA LÚCIA ANDRADE
Não é à toa que o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) evita qualquer declaração sobre o seu futuro político, em 2002, e pretende alimentar o mistério até o prazo limite das decisões. As arrumações dos cenários para a disputa eleitoral do ano que vem, sejam do palanque de oposição ou do governista, dependem do rumo que o peemedebista irá tomar. E a disputa para o Senado Federal – que prometia ser uma das mais emocionantes já vividas no Estado, a ponto de tirar o brilho da corrida para o Palácio das Princesas – também não está imune às incertezas alimentadas por Jarbas.
As articulações para as duas vagas ao Senado esfriaram aceleradamente. Nenhum dos postulantes aos oito anos de mandato arriscam um passo, enquanto o governador não se mexer no jogo sucessório.
Todos calculam, governistas ou de oposição, que se Jarbas decidir pelo Senado Federal, uma das vagas é dele. Ninguém acredita que o peemedebista seja derrotado nessa disputa. E essa certeza em antecipar o resultado das urnas altera completamente a organização das chapas de Governo e de oposição.
A tática do governador Jarbas Vasconcelos de embaralhar o meio de campo da sucessão vem surtindo efeito. A oposição agoniza no esforço pela unidade. Ora pela unidade política, ora pela unidade eleitoral. E vai se distanciando da decisão que anteciparia o clima eleitoral. O caminho ideal só ficará mais claro quando o governador Jarbas Vasconcelos decidir o (seu) caminho.
Os governistas aclamam a tese da “responsabilidade” do governador com a aliança que o elegeu para acreditar que a reeleição é factível. Mas nem os que desfrutam da intimidade de Jarbas têm segurança em afirmá-lo na disputa pela reeleição.
Enquanto isso, o jogo sucessório fica parado. Os jogadores se aquecem no vestuário sem a certeza de se sequer entrarão em campo. E o juiz da partida, o governador Jarbas Vasconcelos, mantém sob rédeas a sucessão que poderá reconduzí-lo ao Palácio das Princesas ou levá-lo Senado Federal.