por FABIANA MORAES
Quem conhece o Pantanal volta com três nítidas lembranças: a comida deliciosa, a cara ameaçadora do jacaré e , principalmente, as inúmeras histórias de onça. É impressionante, mas todo mundo já viu uma ou tem um conhecido que foi atacado por ela (vale lembrar, aliás, que o animal é o maior felino das Américas). “Ela já atacou meu gado”, diz o fazendeiro Idelfonso José. “Uma feriu um amigo meu, dentro da mata. Tinha raiva nos olhos”, conta um dos pantaneiros ribeirinhos que vive próximo ao Rio Paraguai.
Durante os passeios pela região, seja nos rios ou nas trilhas a pé, tem-se a sensação de que, a qualquer momento, um pintada vai aparecer na sua frente com aqueles molares de fora. Ledo engano: elas são ariscas, rápidas e sabem que se esconder é a melhor forma de se manter seguras da ameaça humana. Logo, é bom ficar avisado: ir para o Pantanal não significa dizer que você vai fotografar um filme inteiro com a ‘amiga’ onça. Pode-se dizer, no caso, que a reportagem do Jornal do Commercio foi feliz em sua visita: por duas vezes, nas margens do Rio Paraguai, pôde-se apreciar onças-pintadas (que, é claro, fugiram ao primeiro sinal dos humanos). O animal é imponente e realmente impressiona vê-lo solto em seu ambiente natural. Caso você aviste um, avise a todos e peça para que fiquem quietos e em silêncio. Só assim pode-se garantir que a onça permaneça em seu local para ser observada. Fotografá-la são outros quinhentos: é preciso estar muito, muito concentrado, ser rápido e, claro, sortudo. Mas, nessas qualidades, a onça deve superar você.
O Pantanal não vive só de felinos gigantes. Sua natureza, exuberante, deixa qualquer urbanóide de boca aberta e curioso para saber como se vive num lugar aparentemente tão inóspito. Essa faceta, porém, é quebrada ao se chegar nos ótimos hotéis e pousadas construídos em pleno coração do Brasil. Confortáveis, eles garantem o descanso que você vai precisar depois de passar o dia levando sustos dos jacarés e se impressionando – e se divertindo – com as histórias das onças medonhas.