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ECOTURISMO
Vale do Catimbau será o mais novo parque nacional

A idéia de transformar a área em parque existe desde julho deste ano. O objetivo é destinar o local para a realização de estudos, pesquisas e turismo ecológico

por JÚLIA NOGUEIRA

O Vale do Catimbau, localizado entre o Agreste e o Sertão de Pernambuco, será transformado em Unidade de Conservação e Proteção Integral. O Vale se estende desde o município de Buíque, no Agreste, a 285 quilômetros do Recife, passando pelos municípios de Tupanatinga, Inajá até Ibimirim, no Sertão do Moxotó. Com a mudança, parte do vale passa a se chamar Parque Nacional do Catimbau/PE.

De acordo com o diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama), José de Anchieta Santos, a idéia de transformar a área em parque existe desde julho deste ano. Segundo ele, o objetivo é destinar o local à realização de estudos, pesquisas e turismo ecológico, tudo isso permeado pela máxima da preservação das paisagens e do ecossistema.

O Vale do Catimbau será o segundo maior parque ecológico do País, ficando atrás apenas da Serra da Capivara, no Piauí. Será também a segunda Unidade de Preservação do Estado. A primeira é o Arquipélago de Fernando de Noronha.

José de Anchieta explica que tudo começou a partir de uma carta enviada por uma morador de Buíque ao Ibama. A correspondência destacava as potencialidades e belezas naturais da região. A partir de então, uma técnica do Instituto de Brasília foi ao local acompanhada de uma equipe pernambucana para fazer o mapeamento e identificação dos potenciais da área.

O resultado foi a descrição de vários cursos d’água, uma flora com predominância de cactáceas (cactos) e bromélias em bom estado de conservação e uma fauna bastante diversificada com espécies como: Ararinha, Galo de Campina, Canário da Terra, Papagaios e outras aves comuns no Sertão.

Apesar de ser maior (ao todo são mais de 90 mil hectares), a área do Vale do Catimbau a ser englobada pelo parque terá pouco mais de 61 mil hectares, excluindo-se as partes de comunidades e residências indígenas. “As terras serão desapropriadas e os antigos donos serão indenizados. Apenas os moradores muito antigos, inclusive índios, serão mantidos em seus locais de origem”, explica Anchieta.

A proposta de criação do parque, elaborada pela Universidade Federal de Pernambuco, em parceria com a Sociedade Nordestina de Ecologia, uma Organização Não-Governamental (ONG), foi encaminhada ao Ibama e está sendo analisada pela diretoria de Ecossistemas do órgão. “Já estudamos o projeto quase todo e, pelo que lemos, está bem feito e deverá ser aprovado”, explica Anchieta.

A proposta foi julgada e aprovada pelo Ministério do Meio Ambiente e, “na prática, só está faltando a assinatura de um decreto pelo presidente da República e pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho”, completa. A previsão é que a formalização seja feita até o início do ano que vem, até porque Sarney Filho já determinou a questão como prioridade máxima.

Anchieta destaca a importância que o parque nacional vai exercer sobre a região e também às comunidades vizinhas. A previsão de Anchieta é que todos os municípios sejam beneficiados com o incremento do turismo local, com a abertura de novas pousadas, crescimento do comércio e, por conseqüência, criação de novas alternativas de emprego e geração de renda.

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Jornal do Commercio
Recife - 13.12.2001
Quinta-feira