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ECOTURISMO II
Registros da civilização Pré-histórica estão escritos em 23 sítios arqueológicos

A área do Vale do Catimbau tem a particularidade de reunir, em um só lugar, espécies da fauna e flora do Agreste e do Sertão. Além das bromélias e dos cactos, palmeiras como o Babaçu e o Buriti também predominam.

Entre os animais, é comum vê-se raras aves de rapina como o Acauã, uma espécie de gavião que faz seu ninho no alto dos paredões rochosos, onde o acesso é praticamente impossível. Raposas, gatos do mato (ou jaguatiricas, como são chamados esses animais em regiões de Mata Atlântica), tatus e veados.

Mas nem sempre foi assim. O consultor ambiental Célio Muniz, que realiza projetos na área ambiental e organiza visitas orientadas ao vale, explica que, no passado, a região tinha imensos lagos e o clima era semelhante ao da Floresta Amazônica: quente e úmido, o que permitia o crescimento de uma vegetação exuberante.

“Por conta da mudança do eixo de inclinação da terra, que permitiu uma maior insolação sobre o planeta, esses lagos foram secando e os animais morreram ou se adaptaram, evoluindo”, explica.

Atualmente, a região é árida, composta por plantas arbustivas e o clima é ameno, por causa das grandes altitudes. Em média, o vale está localizado a 836 metros acima do nível do mar.

Na mesma época dos grandes lagos, a região era povoada por espécies que faziam parte da megafauna, com animais gigantes para os padrões de hoje. Bichos-preguiça com seis metros de altura, smilodons (tigres de dentes de sabre) com presas de 30 centímetros e tatus com o casco do tamanho de um fusca chegaram, em algum momento, a dividir espaço com os homens que, há cerca de dez ou doze mil anos já habitavam a área.

Estudos realizados no local mostram que a hipótese mais provável é de que esses nômades caçadores e coletores tenham migrado da Serra da Capivara (PI).

Escavações arqueológicas localizaram ossadas e utensílios antigos desses povos. Existe até um cemitério indígena que guarda os corpos dos primeiros habitantes da região. Ainda hoje índios da tribo dos capinawas vivem no vale, mais precisamente na Serra da Mina.

Para quem gosta de turismo ecológico, com trilhas e escaladas, a região abriga diversas cavernas esculpidas pela força da água, cânions e extensos paredões de rocha arenítica ainda em processo de sedimentação, que ganham ainda mais beleza pela presença do minério de ferro oxidado. O óxido confere uma coloração amarelada, ocre e vermelha às rochas. “Por ainda não estarem totalmente solidificadas, as rochas podem ser esculpidas pelo vento e pela chuva, dando origem a formas muito bonitas e curiosas”, explica Muniz.

O nome das rochas dá uma noção dos formatos ao visitantes que vão ao local pela primeira vez: Pedra da Concha, Serra do Elefante, Pedra do Camelo, Serra das Torres e Pedra da Tartaruga, entre outras. Ao todo, são 23 sítios arqueológicos com grafismos e pinturas rupestres já catalogados pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan). Os desenhos reproduzem formas geométricas, animais, homens e sua organização social dos diversos grupos étnicos que ocuparam a área em diferentes épocas.

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Jornal do Commercio
Recife - 13.12.2001
Quinta-feira