Quer ver um morador do Mato Grosso do Sul ficar irritado? É referir-se a ele como sendo um natural do Mato Grosso. Desde que foi separado do último Estado, o Mato Grosso do Sul (com mais de dois milhões de habitantes) sente-se subtraído de sua real importância no País – e com razão. Visto até agora como apenas um braço do que já foi a imensa área MT antes deste ser dividido, o MS é uma das regiões nacionais com maior potencial para o turismo ecológico do País. Para se ter idéia, 60% da área do Pantanal está aqui, além da maravilhosa região de Bonito, cidade que dá uma aula de como se faz ecoturismo no Brasil.
Um dos primeiros motivos para essa questão de identidade é o próprio nome do Estado. Já se tentou, por duas vezes, mudar o nome do local para Maracajú (nome da serra onde o Mato Grosso do Sul está localizado) e, há dois anos, tentou-se chamar o MS de Estado do Pantanal. Na verdade, o nome Maracajú chegou a ser usado pelo Estado durante um mês. Depois dessa pendenga, os moradores da capital do Mato Grosso, Cuiabá, passaram a se referir aos moradores do Sul do Mato Grosso como “aquele povo do Sul”. Em 1977, durante o governo de Ernesto Geisel, o MS foi finalmente emancipado.
O pedido de desmembramento se deu por conta do tamanho da gigantesca região. Como a capital única era Cuiabá, quem estava no outro extremo do Estado gastava dias – às vezes meses – para resolver qualquer questão na capital.
O guia turístico Anderson Flores Monteiro, da Impacto Turismo, em Campo Grande, diz que o nome Mato Grosso do Sul é inviável turisticamente. “Muita gente confunde os Estados, e ouve-se por aí, o tempo todo, que o Pantanal fica apenas no Mato Grosso”, comenta.
Dessa forma, muitos turistas acabam visitando apenas o MT, sem saber que 60% da região pantaneira está no MS. Curiosidade: o atual governo estadual, do petista José Orsário, utiliza como mote publicitário “Campo Grande, o Estado do Pantanal”.
HAJA CARNE – A citada adoração do povo sul-matogrossense (matéria principal da página) por carne tem fundamento: paraguaios e gaúchos colonizaram o local. Além disso, o Estado abriga hoje 25 milhões de cabeças de gado. O Paraguai ainda deixou outras heranças, como a polca e o chamamé, uma dança de salão muito famosa na região. Outra característica forte no MS é a presença indígena (é a segunda maior população do País). No município de Dourados, vive a maior população indígena urbana do Brasil, a tribo Terena.