Com a mesma área que Portugal, o Pantanal é um dos destinos turísticos mais promissores do País
É na época da vazante (junho a início de dezembro), quando o nível das águas começa a baixar, que o Pantanal vive seu período mais exuberante. A maior superfície inundável do planeta (são 189 mil quilômetros quadrados) é maior do que Portugal, e abriga mais de 280 espécies de peixes, 50 répteis, 1.500 espécies de flores, 90 mamíferos e mais de 600 aves. Esse último dado, inclusive, faz a festa de um tipo muito específico de turista, aquele que aprecia observar aves (geralmente pesquisadores). A atividade, inclusive, vem se desenvolvendo na região, que, com tantas espécies catalogadas, mostra-se bastante fértil para a prática.
A grande atração pantaneira é a diversidade natural que caracteriza as 10 pequenas regiões que totalizam toda a área. Chamadas de “os 10 Pantanais”, essas localidades se dispersam entre MT e MS. No MT, estão Cáceres, Poconé e Barão de Melgaço, enquanto o MS guarda Paiguás, Corumbá, Nhecolândia, Abrobal, Rio Negro, Miranda e Nabileque. Cada uma delas possui uma face própria. Diz-se, inclusive, que o Pantanal une diversos ecossistemas, da Caatinga nordestina à floresta amazonense. De fato, é possível observar, em áreas mais áridas, mandacarus e juazeiros, um assombro para quem aprende que a planície vive metade do ano alagada. O Pantanal é rodeado a Oeste pelo chamado Chaco paraguaio e boliviano, ao Norte pela Amazônia e ao Sul e ao Leste por serras.
APENAS UMA RESERVA – Uma área tão grande e rica possui, contraditoriamente, apenas uma reserva ecológica protegida por lei federal (o Pantanal também é tombado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade). O parque possui 135 mil hectares (apenas 1% de todo o Pantanal), e está localizada no Mato Grosso. O local, de difícil acesso, passa todo o ano com 90% de sua área alagada – os rios Paraguai e São Lourenço cercam o local.
A agricultura indiscriminada pode ser considerada uma das grandes vilãs da região. Por sua causa, o solo entra em erosão, além de ficar contaminado com o uso excessivo de agrotóxicos. Como conseqüência, os rios sofrem assoreamentos e mudam a paisagem da planície. Áreas que antes ficavam alagadas nas cheias e secas quando as chuvas paravam, vivem agora sempre sob as águas. Outro fator que precisa ser organizado é o próprio turismo. De acordo com os próprios pantaneiros, não é comum vê-los depredando a área, mas a própria visitação gera impactos, por isso é necessário que ela seja o mais cuidadosa possível. A caça ainda continua a gerar conflitos, principalmente por causa do fator desemprego, que leva ex-peões sem trabalho a organizar ou integrar quadrilhas de caçadores de couro. Os jacarés continuam no alvo: de acordo com Idelfonso José, proprietário da Fazenda São José, uma quadrilha vinha atuando perto de sua propriedade. “Chegamos aqui, no meio na noite, atraídos pelo barulhos e nos deparamos com dezenas de jacarés mortos sendo levados por um grupo de homens em canoas”, conta o pantaneiro. (F.M.)