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NEGÓCIOS
Saiba como aproveitar o que os leilões têm de bom

Os leilões de automóveis crescem em Pernambuco e conquistam um público cada vez maior. Consumidor, no entanto, deve conhecer as regras desse tipo de compra

SÍLVIO MENEZES

Números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que dos 1,4 milhão de carros vendidos no Brasil, este ano, 80% deles foram financiados. A inadimplência faz com que grande parte desses automóveis acabe voltando para as financeiras e tenham um único destino: os leilões, que vendem os veículos com valor até 30% abaixo do preço de mercado. O negócio está se difundido de tal forma no Estado que somente na semana passada foram realizados três eventos do gênero na Região Metropolitana do Recife (RMR) – representando um total de 500 carros vendidos em apenas dois dias.

Quem vem comemorando esses números são os proprietários da Coliseum, no bairro da Várzea. Funcionado há menos de dois anos na cidade, a casa vem realizando um leilão por mês para a venda de 200 veículos (entre nacionais, importados, semi-novos e até sucatas), reunindo centenas de pessoas que buscam fazer um bom negócio. “A partir do próximo mês nossa meta é realizar um evento a cada 15 dias”, diz o leiloeiro Sérgio Freitas, um dos responsáveis pela casa. Na opinião dele, a tendência é que, em pouco tempo, o mercado recifense realize um grande leilão de carros por semana, a exemplo do que ocorre em Estados do Sul e Sudeste do País.

Para o dono do Almeida Leilões, o leiloeiro Rui Almeida, o crescimento do setor vem se dando porque a população passou a conhecer essa nova modalidade de compra. “O povo viu que pode fazer um bom negócio. Os leilões são uma boa opção porque o comprador está adquirindo um veículo de procedência e com preço bem abaixo do praticado no mercado”, justifica o leiloeiro, que chega a vender uma média de 150 itens num único evento.

ROLETA RUSSA – Apesar da vantagem do preço, o futuro comprador pode estar fazendo uma roleta russa. Isso porque os motores só podem ser avaliados no ‘olhometro’ – É proibido ligá-lo para testes. “É importante fazer uma análise do veículo antecipadamente para não se arrepender depois por ter feito um mau negócio. Os carros são vendidos no estado em que se encontram e não têm garantias”, alerta o leiloeiro Albino Queiroz, que atua no Recife há 34 anos e, desde 1995, especializou-se nos leilões de veículos. Hoje, chega a vender uma média de 150 carros num único dia no Parque de Leilões Albino Queiroz, no bairro de Afogados.

No entanto, ele alerta que a preocupação do comprador não se deve resumir ao estado de conservação do bem ou ao preço. “O arrematante deve priorizar os veículos que estejam com a documentação em dia para não ter dor de cabeça. Há casos que os carros estão com pendências judiciais e o comprador pode esperar meses para receber seu bem”, previne o leiloeiro Albino Queiroz.

Uma das razões para o aviso é o sistema de vendas dos automóveis, que é rápido e eficiente. Em menos de cinco horas mais de 200 carros podem ser vendidos. A exemplo dos locutores das rádios, os leiloeiros apresentam o lote e abrem a contagem pelo melhor preço. O público começa fazendo a oferta por preços irrisórios e logo é travada uma batalha pelo carro. Num dos eventos que a reportagem do JC acompanhou, um Corsa ano 2000 que foi oferecido por R$ 3 mil em 20 segundos alcançou o preço de R$ 8 mil. Em menos de dois minutos o veículo acabou arrematado por R$ 10,8 mil.

Batido o martelo, o automóvel passa a ser do comprador e o leiloeiro não pode voltar atrás de sua decisão. Fechado o negócio, o arrematante tem um prazo de dois dias para fazer o pagamento e retirar o veículo do pátio sob a pena de pagar uma multa pelo depósito.

Em casos de desistência do negócio, o comprador também poderá pagar multa de até 20% do valor do carro.

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Jornal do Commercio
Recife - 16.12.2001
Domingo