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GASOLINA
Adição de álcool aumenta consumo

Apesar de a mudança do índice de álcool na gasolina não prejudicar o funcionamento do motor, especialistas afirmam que consumidor gastará mais na hora de abastecer

A quantidade de álcool anidro adicionado à gasolina passará de 22% para 24% em janeiro, deixando uma dúvida no ar: o que isso interfere no funcionamento do motor? Embora os motores saiam regulados de fábrica para uma mistura de 22%, o aumento de 2 pontos percentuais não provocará maiores problemas. “Causará apenas um pequeno aumento no consumo de combustível, mas muito difícil de perceber, somente através de testes essa alteração seria constatada”, diz o presidente da Associação de Engenharia Automotiva (AEA), José Edison Parro.

Do ponto de vista técnico, os 2% de álcool que serão aditivados à gasolina provocarão um aumento da octanagem, mas alguns inconvenientes podem surgir, tais como o pequeno aumento nas emissões de óxido de nitrogênio (NOX) e de consumo, em aproximadamente 3%. Pesquisas realizadas sobre o assunto demonstraram que o percentual ideal para a mistura é de 15% a 20%.

Entretanto, as mudanças constantes nesses percentuais acabam prejudicando o motor. “Quando adotado um percentual, o sistema eletrônico de gerenciamento tem a capacidade de se adaptar ao combustível, mas a troca constante desse teor faria com que o sistema não consiga acompanhar as alterações, causando problemas quanto à integridade dos componentes do motor”, finaliza José Edison Parro.

No Brasil, a adição do álcool anidro à gasolina é obrigatória desde 1931. Na época, o percentual permitido era de apenas 5%. Com o passar dos anos, a quantidade foi aumentando gradativamente. O teor de álcool na gasolina já variou entre 12%, 16,2%, 20%, 22% e 24%. A mistura do combustível permite a diminuição da emissão de gases poluentes, como o monóxido de carbono, e melhora a queima da gasolina, aumentando o desempenho do produto.

O acréscimo do álcool anidro à gasolina também foi a forma encontrada pelo Governo Federal de direcionar parte do excedente da safra de cana-de-açúcar para a produção de álcool combustível. Cada ponto porcentual de variação da mistura significa uma alteração no consumo anual de álcool da ordem de 300 mil metros cúbicos, o equivalente a 300 milhões de litros e a aproximadamente 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

CONTROLE – O combustível é utilizado como parâmetro determinante no projeto de um motor. Por isso, é preciso manter um controle sobre o limite da mistura para que não ocorram problemas de desgaste prematuro dos motores dos veículos. “Um percentual de 26% certamente afetaria o desempenho e as emissões de gases poluentes”, explica Parro.

A durabilidade do veículo também estaria comprometida. “Como o álcool é mais corrosivo do que a gasolina, pode ocorrer um desgaste acentuado de componentes do sistema de alimentação, como mangueiras, dutos, filtros, válvulas e até do tanque de combustível – diminuindo a durabilidade dos automóveis”, avalia o engenheiro.

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Jornal do Commercio
Recife - 16.12.2001
Domingo