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Santos Dumont morreu triste com seu invento

Dizer que o brasileiro Alberto Santos Dumont é o Pai da Aviação é comprar briga feia com os norte-americanos. Eles juram que os irmãos Wright voaram em 1903 num biplano, enquanto que o 14-bis do brasileiro fez um vôo de 50 metros só em 1906, mas sob as vistas de muitos curiosos no campo de Bagatelle, nos arredores de Paris, no dia 23 de outubro. Por isso, Santos Dumont ganhou prêmios e um lugar na história como inventor do avião.

Os próprios irmãos Wilbur e Orville reconheceram, mais tarde, que o avião do brasileiro foi o primeiro aparelho mais pesado que o ar a sair do chão com seus próprios recursos, enquanto que o deles só subiu graças à impulsão dada por uma catapulta.

Nascido em 20 de julho de 1873 em Palmira, interior de Minas Gerais, Alberto Santos Dumont, filho de umm rico plantador de café, estudou nos melhores colégios de São Paulo e entre sua leitura preferida estava as obras de Júlio Verne, o que lhe deu, com certeza, ‘asas à imaginação’.

Em 1891 Santos Dumont chegava a Paris disposto a alcançar o sucesso e começou a ganhar os ceus primeiro com os balões, depois com os dirigíveis e por fim os aeroplanos. Após estudar os automóveis, Santos Dumont construiu os primeiros veículos aéreos movidos à combustão e escapou da morte algumas vezes durante os diversos vôos que realizou com as mais variadas equipamentos, tendo conquistado diversos prêmios, os quais disatribuiu com quem o ajudou na construção dos balões, dirigíveis e aeroplanos.

Entretanto, à medida em que no século XX se intensificava a escalada da violência, Dumont se recolhia cada vez mais aos seus estudos e aos discursos de paz, além de se dedicar a prosaicos inventos, como um chuveiro de água aquecida graças ao uso de álcool.

De estrutura física frágil e doente, Santos Dumont se enforcou num hotel no Guarujá, São Paulo, após viver seus momentos de glória em Paris. Não se sabe se por motivo de doença ou por ter visto seu invento ser usado para a guerra.

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Jornal do Commercio
Recife - 31.12.2000
Domingo