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ESTATÍSTICA II
Aumento no número de idosos vai sobrecarregar a previdência

Por trás da redução da taxa de crescimento e do envelhecimento gradativo da população brasileira, um outro problema, muito mais grave, pode ser desencadeado no País nas próximas décadas. O da ‘explosão’ do sistema previdenciário, pelo fato de que população mais velha significa menos força de trabalho e, conseqüentemente, maiores encargos para o Estado. Em países como Itália, Japão, Alemanha e Inglaterra, onde as taxas de crescimento são bastante reduzidas, os prognósticos da Organização das Nações Unidas (ONU) feitos no ano passado não são nada animadores.

Nessas potências, a média atual de cinco trabalhadores para cada aposentado cairá a uma proporção de dois para um, em 2050. “Nas próximas décadas, o Governo terá de adotar políticas voltadas para os idosos, que, com a diminuição do tamanho das famílias, ficarão cada vez mais sozinhos”, adverte Conceição Lafayette, professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco e integrante do Núcleo de Estudos de Família, Gênero e Sexualidade da UFPE. Segundo indica o estudo da ONU, só a imigração em massa poderá garantir a prosperidade futura das nações mais ricas do planeta.

Nesse contexto, a Itália teria de admitir 9 milhões de imigrantes, nos próximos 25 anos, para sustentar o contingente de trabalhadores nos mesmos níveis de 1995, enquanto a Alemanha precisaria do auxílio de 14 milhões de trabalhadores de fora.

No entanto, o problema para o incentivo à imigração está nas restrições que esses países impõem aos estrangeiros. Na França, por exemplo, onde apenas 6% da população é estrangeira, uma lei aprovada pelo Parlamento em 97 obriga as pessoas de fora a informar às prefeituras a data da partida. Nos países onde a política de imigração é menos rígida, como os Estados Unidos (os estrangeiros representam 8,5% da população), o trabalho imigrante já representa lucro aos cofres públicos, conforme a ONU.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.05.2001
Domingo