Doença da planta foi registrada no município de São Bento do Una, a 217 quilômetros do Recife, no Agreste do Ipojuca, onde 70% dos palmais já estão infectados
por VERÔNICA FALCÃO
Dois meses após a descoberta da praga da cochonilha na palma forrageira, principal alimento do gado durante a seca, técnicos da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA) identificaram uma nova ameaça à planta. Trata-se de um fungo, denominado cientificamente de Alternaria tenuis, que provoca manchas pretas e a queda das raquetes (folhas) do cacto. A epidemia foi registrada em São Bento do Una, a 217 quilômetros do Recife, no Agreste do Ipojuca, onde 70% dos palmais estão infectados.
O coordenador da pesquisa, o agrônomo Rildo Sartori Coelho, explica que esse fungo é conhecido por provocar doenças em plantas, mas nunca tinha sido detectado em palmais. Segundo ele, o fitopatógeno é freqüente no pimentão, coco, algodão, batata-doce, tomate, banana, feijão, batata-inglesa, cana-de-açúcar e jerimum, entre outras culturas.
A doença, chamada de mancha-de-alternária, também está atacando palmais de outros municípios do Agreste do Ipojuca, como São Caetano e São João. De acordo com os pesquisadores, o fungo atinge tanto a palma gigante (Opuntia ficus-indica) como a miúda ou doce (Nopalea cochenillifera). A descoberta, resultado de estudo iniciado em setembro na região, será apresentada durante o 34º Congresso Brasileiro de Fitopatologia, em Piracicaba (SP).
O pesquisador, que tem doutorado em fitopatologia, não sabe ao certo como o fungo infectou os palmais de Pernambuco. Um possibilidade é o Alternaria tenuis ter se originado de uma plantação de feijão ou tomate contaminada, nas proximidades dos palmais. A doença, de acordo com ele, não é registrada na literatura específica. “Apenas encontramos uma ocorrência para o México, mas de um fungo do mesmo gênero (Alternaria), não da mesma espécie.”
Sartori garante que a palma infectada com a doença pode ser oferecida como alimento para o gado. O agrônomo informa que o fungo não é nocivo se ingerido pelos animais, porque, ao contrário de outras espécies, não produz aflotoxina, que pode provocar câncer. “Os danos se restringem à produtividade da palma”, diz.
PALMA – A palma é originária do México, mas foi trazida para o Brasil pelos colonizadores há mais de um século, possivelmente das Ilhas Canárias. A planta seria empregada no cultivo da cochonilha, inseto produtor de um corante natural vermelho, mas, com a seca do início do século passado, passou a ser utilizada como forrageira.
Hoje a cultura ocupa uma área superior a 113 mil hectares no Nordeste, como uma produção anual de quase dois milhões de toneladas, segundo o Senso Agronômico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, de 1996. O Estado contribui com 45% da quantidade de palma produzida e 42% da área colhida, o que movimenta mais de R$ 28 milhões.