Governo do Estado, Prefeitura de Nazaré da Mata e Sebrae investem R$ 4 milhões na recuperação de casas-grandes, capelas, fábricas e escolas dos séculos 18 e 19
por ANA PAULA VIANA
Especial para o JC
Os engenhos instalados no município de Nazaré da Mata, a 70 quilômetros do Recife, estão dando o primeiro passo para alavancar o desenvolvimento econômico local, independentemente da cultura da cana-de-açúcar. O projeto de revitalização produtiva Engenhos da Mata Norte visa a diversificação econômica da região. O trabalho está sendo desenvolvido por meio da qualificação profissional e de atividades agroindustriais. Além disso, há uma série de ações voltadas para o turismo ecológico.
O programa, elaborado pela arquiteta Vitória Andrade, acaba de sair do papel e virar realidade para três dos sete engenhos envolvidos. Estão sendo investidos R$ 4 milhões na recuperação de toda a estrutura existente nesses locais: casa-grande, capelas, fábricas e escolas, que datam dos séculos 18 e 19.
As obras são financiadas pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Social do Estado (Seplandes), Prefeitura de Nazaré da Mata, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e por um grupo formado pelos proprietários dos engenhos. De acordo Vitória Andrade, a idéia é reaproveitar as estruturas dos engenhos, implantando diferentes experiências de diversificação, que se complementam e se articulam em cadeia, gerando produtos agroindustriais de qualidade.
DESEMPREGO – Marcada pela falência da cultura canavieira, a região da Mata Norte é carente de emprego e de renda e, é nesse ponto, que o projeto Engenhos do Norte entra em ação. As infra-estruturas existentes em cada engenho, que até um tempo atrás estavam obsoletas, e o clima agradável da região estão fazendo com que esses locais se tornem um destino turístico. Os proprietários rurais estão avaliando a nova atividade, como oportunidade de emprego e renda, impulsionando o desenvolvimento local.
“O nosso anseio, juntamente com as entidades públicas, é de criar um modelo de desenvolvimento, onde a comunidade tenha um papel ativo, oferecendo alternativas reais de absorção profissional”, afirma. No campo do turismo, o projeto foi dividido em engenhos de lazer, cultura, aventuras, cerimônias, eventos, história e educação.
PROMATA – Segundo a secretária-adjunta da Seplandes, Fátima Amazonas, o Engenhos do Norte faz parte do plano piloto do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável da Zona da Mata (Promata), que está implantando ações na área de educação, produção rural, infra-estrutura, turismo e cultura em Nazaré da Mata, Aliança e Buenos Aires.
O objetivo é trabalhar tanto na melhoria dos cultivos quanto na diversificação de culturas nas áreas em que a produção de cana-de-açúcar já não é mais rentável. No Engenho Bonito, por exemplo, está havendo colheita de laranja, jaca, goiaba e manga. As frutas são utilizadas na fabricação de geléias e doces caseiros.
“Vamos aproveitar as potencialidades de cada engenho. Com isso, é possível melhorar as condições de vida dos moradores”, afirmou a secretária-adjunta. Nesta primeira fase, a capacitação profissional está sendo feita por meio do Programa de Educação e Qualificação (PEQ) do Governo do Estado. Com isso, os 525 trabalhadores sairão aptos ao mercado de trabalho e serão absorvidos pelos engenhos do projeto, nas áreas de hotelaria, organizações de eventos e guias turísticos.