BRASÍLIA – O principal instrumento para convencer a população a economizar energia, o corte individual, deverá ser apenas uma ameaça na maioria dos casos. “Existem limitações logísticas”, disse o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, referindo-se à possibilidade de cortes generalizados do fornecimento de energia.
Mauro Arce, membro do ministério do apagão e Secretário de Energia de São Paulo, disse que as distribuidoras de energia elétrica podem, no limite, sofrer intervenção do Governo Federal caso não cumpram as resoluções da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE). Ao contrário dos apagões programados, que podem ser feitos de uma sala de operação da distribuidora, os cortes individuais exigem desligamentos manuais feitos um a um.
Um dos principais técnicos na elaboração do plano de racionamento disse à reportagem que não haverá gente o suficiente nas distribuidoras para operar o corte nas casas, se a maioria dos consumidores decidir não respeitar sua meta de consumo.
A intenção do Governo, mantida sob reserva, é ser bastante flexível em junho com o cumprimento das metas, pois a população precisaria de um tempo para saber como alcançar a meta de economia.
O corte individual deve funcionar apenas como medida exemplar para punir os casos em que houver abuso no desrespeito às regras do plano de racionamento. Uma autoridade do Governo comparou o sistema de cortes individuais com as multas de trânsito por excesso de velocidade. Muitas vezes o motorista excede a velocidade, mas não é autuado, pois não seria possível fiscalizar todos os carros. O mesmo acontece com o corte individual.
A ameaça de deixar as casas sem energia por até seis dias consecutivos só funcionará como pressão para que a sociedade se engaje no esforço para evitar que o País pare por falta de luz. Se houver um boicote coletivo da cota, o plano falha.
Outro problema do plano é o valor das multas, que alguns não consideram altas o suficiente para convencer os mais ricos a economizar. São as classes sociais mais altas que farão a maior redução no gasto de energia. Mas também são essas camadas as que têm dinheiro para optar em pagar mais caro para não perder seu conforto. Opção que podem fazer se perceberem que o corte individual não passa de uma ameaça.