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RACIONAMENTO IV
Setor industrial será prejudicado

Região Nordeste e o Estado de Minas Gerais devem sofrer os maiores impactos na produção industrial por causa das medidas anunciadas sexta-feira

RIO – As indústrias de Minas Gerais e do Nordeste vão sofrer os maiores impactos com o racionamento energético, enquanto as do Rio de Janeiro e Espírito Santo serão as menos afetadas. O Estado de São Paulo será prejudicado, mas em linha intermediária entre as demais do País. O Norte e o Sul serão poupados, pelo menos inicialmente, dos cortes. A avaliação é do economista Paulo Gonzaga, do departamento de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A profundidade dos impactos está diretamente relacionada ao peso que as indústrias eletrointensivas – produtoras de bens intermediários, como siderurgia, alumínio, ferro-liga, celulose e cimento – tem no perfil industrial de cada uma dessas regiões.

No caso de Minas Gerais, impera a produção siderúrgica, enquanto no Nordeste, 90% da produção estão vinculados a bens intermediários ou não-duráveis.

Na indústria capixaba, o destaque atual é a produção da indústria extrativa de petróleo, que não é eletrointensiva. As indústrias de siderurgia e celulose locais já contam com porção significativa em geração própria. No Rio de Janeiro a situação é similar, com predomínio da produção de petróleo e autonomia energética da principal siderúrgica, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que chega a comercializar a produção excedente no Mercado Atacadista de Energia (MAE).

A Região de São Paulo terá um impacto intermediário porque, segundo Gonzaga, concentra a maior produção industrial do País mas apresenta um porcentual de produção de bens intermediários (42,9% do total produzido) inferior à média nacional (46,5%).

Por outro lado, detém um percentual da produção de bens de capital (13,6%) superior à média do País (11,3%). O economista explica que esse setor será menos afetado.

Paulo Gonzaga ressaltou que os setores eletrointensivos já têm apresentado taxas de crescimento inferiores à expansão média da indústria nacional no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.

CIMENTO – No caso da produção de cimento, por exemplo, o aumento no período foi de 3,5%, para uma média geral da indústria de 6,9%. A siderurgia cresceu 5,5% e a celulose 0,9%.

O economista explicou que, no caso do cimento, o crescimento um pouco menor foi provocado pela dificuldade de recuperação dos investimentos na construção civil. A siderurgia, outro exemplo, depende do preço e do desempenho da economia internacional.

Ele lembrou que há setores específicos que também vêm apresentando fraco desempenho e, portanto, devem sofrer quedas ainda maiores na produção com o racionamento. Curiosamente, a produção de chuveiros elétricos apresentou queda de 35% no País no primeiro trimestre, na comparação com o primeiro trimestre do ano passado. A interpretação do economista é que isso ocorreu porque o verão foi mais quente e levou muitos consumidores a adiarem a troca do chuveiro.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.05.2001
Domingo