O plano de racionamento leva Governo a refazer as contas para 2001 e 2002. Reajuste de servidor federal está mais ameaçado
BRASÍLIA – Com o atraso na privatização do segmento de geração de energia elétrica, investimentos previstos como privados serão executados pelo setor público em 2001 e 2002. A informação é do ministro do Planejamento, Martus Tavares. Isso significará inevitavelmente cortes no Orçamento, o que ameaça o reajuste salarial do servidor público, esperado pelo funcionalismo depois de seis anos sem aumentos lineares. “Os recursos são limitados. Entre comprometer os programas sociais e gastar com pessoal, não há dúvidas: preservaremos o social”, disse o ministro.
Mesmo que a crise energética não tenha forte impacto sobre a atividade econômica, o ministro disse que o crescimento estimado de 4,5% do PIB para este ano não se dará. Por isso, a arrecadação de receitas públicas federais sofrerá redução, impondo cortes nas despesas. “O resultado fiscal não sofrerá comprometimento”, afirmou Martus.
Tavares explicou que o programa Avança Brasil, que prevê investimentos da ordem de R$ 1,9 bilhão em 2001 para ampliar a capacidade geradora em 4,5 mil mw, terá que viabilizar-se com recursos públicos, porque as hidrelétricas não foram privatizadas, como esperado. Ele atribuiu a problemas políticos regionais o atraso no calendário de privatização deste ano. “Para 2002, temos maior margem de manobra, porque ainda vamos fazer o Orçamento, começando do zero. Agora, teremos que cortar de algum lugar”, afirmou.
Antes do surgimento da crise, o Governo trabalhava com um cenário mais confortável para o biênio 2001/02, mesmo considerando a crise econômica argentina e as incertezas relativas ao desempenho da economia norte-americana. O otimismo permitia que para o próximo ano, quando o País escolherá o sucessor do presidente Fernando Henrique Cardoso, o Governo previa expandir em cerca de R$ 5 bilhões os investimentos na área social e ainda concederia um reajuste linear aos salários dos servidores públicos.
No Palácio do Planalto, o reajuste já é considerado impossível. Um reajuste de 10% custaria R$ 6 bilhões para os cofres públicos, considerando que a folha salarial de 2002 é estimada em torno de R$ 60 bilhões, entre servidores ativos e inativos.
Martus Tavares disse que os cálculos dos cortes ainda não foram feitos, ainda que sejam inevitáveis. Segundo ele, não se sabe ainda o que esperar da economia.