Depois de seis anos sem conquistar um turno, o Náutico vai à Princesa do Capibaribe, cheio de esperança para desbancar o Centro e, ao mesmo tempo, ‘secar’ o Santa Cruz diante do Sport, no Arruda
Vencer o Centro Limoeirense e torcer para que ocorra um empate sem gols ou uma vitória do Sport diante do Santa Cruz. Esta é a fórmula do Náutico para repetir um feito que há seis anos não é comemorado pela torcida: ganhar um turno e, conseqüentemente, garantir vaga nas finais do Campeonato Pernambucano. O desafio é grande, afinal, os timbus enfrentarão, sob o sol das 15h15, um time perigoso, motivado pela mala-preta do Sport e jogando em casa, no gramado ruim do José Vareda.
Outro desafio igualmente complicado é fazer com que os alvirrubros tenham de ‘passar pela provação’ de torcer para os rubro-negros, mas, como a ‘causa é nobre’, é a única opção.
Para o jogo em Limoeiro, o discurso de todos é o mesmo: “Primeiro vamos fazer nossa parte, vencendo. Depois saberemos o que aconteceu no clássico”. Porém, na hora de revelar o desejo no resultado no Arruda, a conversa muda e os jogadores dividem as opiniões quando o assunto é torcer pelo Leão da Ilha.
“Eu não vou torcer pelo Sport, mas sim pelo resultado favorável ao Náutico”, diz Rafael, esquivando-se ‘politicamente’. O lateral-direito ainda complementa com humor: “Se eu disser que vou torcer para o Sport, o presidente rescinde meu contrato”.
Já os ex-rubro-negros Gilberto e Lima não se importam em torcer abertamente pelo ex-clube. “Se o nosso objetivo é vencer o turno, temos de torcer para o Sport. Isso faz parte do futebol. Quarta-feira estávamos contra eles, agora precisamos da vitória deles”, diz o zagueiro. Gilberto parte para a matemática: “Eles (Sport) precisam vencer, pois têm chances de também ganhar o turno, ou então terminar em segundo lugar e ir para o Hexagonal com dois pontos”.
O ex-tricolor Thiago não pensou duas vezes antes de revelar seu desejo. “Vou torcer contra o Santa para sermos campeões. Todos os alvirrubros vão fazer isso”, afirma o atacante, que diz não ter mágoas do Tricolor do Arruda, mas sim de alguns dirigentes.
Consciente de todas as dificuldades na partida, o técnico Muricy Ramalho fez questão de tranqüilizar os atletas. “O desgaste é grande para os dois. Não podemos valorizar o calor e o gramado ruim, senão os jogadores sentem o lado psicológico em uma decisão como esta”, comenta o treinador, que observou algumas fitas com os jogos do Centro.