O futebol ofensivo tão apregoado pelo técnico Muricy Ramalho – desde que estreou à frente do Náutico no Clássico dos clássicos, da última quarta-feira, tem várias explicações: a necessidade de o time vencer, ter sido atacante, e – a principal – é sem dúvida, o fato de ter o novo treinador alvirrubro ter trabalhado durante cinco anos, no São Paulo, como auxiliar-técnico do bicampeão mundial interclubes Telê Santana.
Como técnico do ‘expressinho’, Muricy passou a ter contato com Telê, pois fornecia jogadores dos juniores para o ‘professor’ colocar em campo quando precisava substituir algum titular. “Foi assim que meninos de futuro como Caio, Jamelli, Bordon, Denílson e muitos outros explodiram para o futebol”, conta.
Antes, Muricy já tinha sido atleta de Telê no mesmo São Paulo, mas a aproximação cresceu ainda mais quando ele passou de treinador do ‘expressinho’ a auxiliar-técnico do time profissional. “Ele viu o meu trabalho nas divisões de base e me chamou para o cargo. Foi quando tive a oportunidade de trabalhar com os grandes craques do São Paulo, pois Telê voltava das férias quinze dias depois e, neste período, eu assumia o comando do time”, relata.
As qualidades do ‘professor’ foram rapidamente absorvidas. “A ofensividade, a determinação, a disciplina, o trabalho a longo prazo e a realização de pré-temporadas são fundamentais para se ter sucesso na profissão”, explica Muricy, que também alia o otimismo a essas virtudes. “Sou muito positivo. Sempre procuro ver as coisas pelo lado bom para transmitir mais confiança ao grupo.”
Muricy não esconde a saudade de Telê, atualmente, afastado do futebol por causa de sérios problemas de saúde. “Ele faz muita falta, por ser uma grande personalidade do futebol.”
Com um contrato de apenas dois meses, Muricy espera ter sucesso no Náutico e, conseqüentemente, ter sua estada no Recife ampliada. “Eu só faço trabalhos com planejamento e a longo prazo, mas resolvi aceitar esse desafio, pois acredito que ficarei no comando da equipe até o fim do ano”, arremata.