Jovem time do Colégio Boa Viagem se prepara para disputar fase final da Copa Coca-Cola no Rio, cuja decisão será no Maracanã
por ANDREZA VASCONCELOS
Quando o espetáculo começou, em abril, eles até acreditavam que poderiam chegar onde chegaram, mas jamais imaginaram que pudessem ser as estrelas principais, compondo a cena final, no maior palco do futebol brasileiro. O elenco do Colégio Boa Viagem, que se prepara para disputar, no próximo sábado, a semifinal da Copa Coca-Cola de Futebol Juvenil, nas Laranjeiras, no Rio de Janeiro, está a um passo de encenar o maior sucesso de incipiente carreira: fazer uma final de campeonato nacional no Estádio do Maracanã.
Os astros dessa aventura são adolescentes de 13 a 15 anos que, até o mês passado, dividiam suas horas de lazer entre brincadeiras e festinhas, com os amigos e a família, e o futsal. “Nosso time é essencialmente uma equipe de futebol de salão. Entramos nessa competição porque fomos convidados e gostamos do desafio de levá-los da quadra para o gramado”, explicou Marconi Moura Júnior, técnico e diretor dessa saga.
Assim como no teatro, os atletas usaram a experiência que tinham nas quadras como laboratório para os gramados e, mesmo sem tanta experiência, deixaram o talento e a criatividade tomar conta do novo personagem. “Juntei as equipes de salão num campo para um teste. Os melhores ganharam as posições”, lembrou Marconi.
De lá até hoje, foram 11 apresentações, todas com aplausos finais, já que foram 10 vitórias e um empate, somando 57 gols feitos e apenas um tomado. “O elenco está em perfeita harmonia. Os garotos são muito disciplinados e flexíveis. Atuam em várias posições. Todos fazem gols.”
Com um cast tão versátil, o Colégio Boa Viagem conquistou o primeiro ato, composto por 24 escolas de Pernambuco. “Na primeira partida, ninguém estava acreditando muito, mas depois que as vitórias começaram a chegar, vimos que poderíamos chegar ao Maracanã”, conta o caçula da equipe, Hamed Thorp. “Só de imaginar que posso pisar no lugar onde já brilharam tantos astros da bola, fico com um frio na barriga.”
Com pouco tempo para ‘ensaiar’ e uma agenda lotada, que mesclou jogos de salão às apresentações de campo, o elenco enfrentou uma verdadeira maratona no segundo ato da epopéia. “Na hora de jogarmos pela fase regional, tivemos mais de um jogo por dia, durante três dias seguidos, sem falar em estudos e provas”, afirmou o diretor. Mas o resultado foi digno dos aplausos de pé da platéia, que esteve na boca de cena dos Aflitos, local do jogo classificatório contra a equipe de Fortaleza, a qual venceram por 4x0.
Agora, resta apenas um ato – dia 26, quando acontece a semifinal nas Laranjeiras, contra a equipe de São Paulo – para o grand finale, um dia depois, no Maracanã. O Teatro Municipal das massas.