Seja por insegurança na própria capacidade ou por defender o uso de’meios naturais’ no trabalho, muitos até precisam, mas se recusam a usar computador
O escultor Eddy Polo, 40 anos, é outro dos que se negam a se plugar. No caso do artista, a rejeição às ‘engenhocas’ eletrônicas tem a ver com um certo receio de estabelecer uma relação de dependência com as máquinas. “Sou meio medieval. Trabalho com pedra, madeira, fogo e elementos primitivos, por isso, o computador me soa um pouco sinistro. Tenho medo de ser seduzido por ele e nunca mais largar”, conta o escultor, que até hoje não acredita na chegada do homem à lua.
Embora Eddy até admita um certo fascínio por determinadas tecnologias, acha que muitas delas, como o telefone celular e o microondas, podem causar danos à saúde. “Na verdade, o problema é que não dá para andar com esses aparelhos no bolso porque eu adoro tomar banho de chuva e nenhum deles é compatível com água. Já imaginou que desastre?”, brinca.
Há quem pense também que o entusiasmo com o computador e a Internet é exagerado. “Não consigo entender como se passa tanto tempo em frente a uma tela procurando coisas. De certa forma, a Internet escraviza, fazendo as pessoas até esquecerem as suas atribuições”, diz o professor da Unicap, Carlos Benevides, que, embora tenha feito curso básico de computação, não tem e-mail nem costuma acessar a Web. “O único computador da casa fica no meu quarto. Colocaram lá para ver se eu me adaptava, mas não consigo encará-lo com naturalidade. Não gostaria de ficar preso a isso”, confessa.
Benevides critica principalmente os excessos, que, na sua opinião, se tornam propícios a cada nova descoberta da sociedade. (M.L.D.)