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COMPORTAMENTO III
Entrar para mundo dos bits pode ser irresistível

À medida em que os tecnófobos de plantão (aqueles que só faltam sentir arrepios ao ouvir falar de uma nova invenção) se tornam cada vez mais raros, um outro grupo começa a tomar corpo: o daqueles que até bem pouco tempo reforçavam o coro dos ‘dissidentes’, mas agora começam a se render, mesmo que discretamente, aos encantos do micro e da Internet.

São pessoas como a neurologista Sônia Fernandes, 56 anos, que tem computador em casa praticamente desde o início da popularização dos PCs, entretanto, só há alguns meses arriscou sua primeira incursão ao ciberespaço. “Meus filhos mexiam sempre, mas eu não tinha idéia do leque infinito de possibilidades que o micro abria. Fiquei deslumbrada”, conta a médica, que considerava o PC apenas uma máquina de datilografia sofisticada.

Hoje, Sônia já não consegue imaginar sua vida sem a Rede, através da qual se corresponde com diversas pessoas, faz pesquisas, lê jornais e até realiza transações bancárias.

Já para a assistente social Juliana Costa, 25, a aceitação do computador não foi tão pacífica. “Tive que aprender a lidar com ele para fazer a monografia de conclusão do curso e poder trocar mensagens com mais agilidade, mas continuo sem gostar muito.” Como trabalha atualmente na central de atendimento ao cliente de uma empresa, o que exige que ela passe pelo menos quatro horas diárias interagindo com o micro, Juliana teve que superar a antipatia. “Mas só utilizo o PC e a Internet para coisas bem específicas”, faz questão de ressaltar.

Mais conformado do que entusiasmado, o estudante de engenharia Ricardo Tabosa Soares acredita que tem de aderir às inovações para não ficar de fora do mercado e perder em competitividade. “O futuro é isso mesmo, portanto, a única alternativa é ceder aos apelos da tecnologia”, filosofa.

Na prática, o estudante vê na Internet um meio de comunicação facilitador e bem mais veloz do que os convencionais, no entanto, só reconhece o seu uso para fins profissionais. “Manuseio apenas os programas básicos que atendem às minhas necessidades. Para me divertir ainda prefiro um bom cinema ou teatro e o contato pessoal. Não vejo graça em chat, acho muito frio e fantasioso, além de nos fazer perder tempo com banalidades”, destaca.(M.L.D.)

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Jornal do Commercio
Recife - 16.05.2001
Quarta-feira