Professora da USP traz para Pernambuco a experiência francesa de aprendizado de Informática a partir da educação artística. Juntar os assuntos tem se mostrado eficaz para a captação de ambos
Aliar o ensino de computação ao de arte, facilitando o aprendizado de ambas as disciplinas. Essa é a proposta da arte-educadora Ana Mae Barbosa, professora da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), que esteve no Recife ministrando um curso sobre Arte-Educação e as Tecnologias Contemporâneas.
Inspirada numa experiência em vigor na França – onde a arte é utilizada para facilitar o aprendizado e manejo de aplicativos de Informática –, a professora acredita que é mais fácil dominar o computador quando se aprende criando. “Através dos jogos propostos pelo ensino da arte, a meninada adquire muito mais rápido o conhecimento necessário para manipular o micro, porque não só está aprendendo comandos, mas usando efetivamente uma ferramenta dentro de um processo criador. É muito mais estimulante e fixador da aprendizagem”, destaca Ana Mae.
Por outro lado, afirma a educadora, as tecnologias contemporâneas evitam que a releitura das obras de arte se converta em simples cópia, pois a imagem é dada pronta na tela, conferindo ao aluno a função de interpretá-la e, com a série de instrumentais disponíveis para atuar em cima dela, modificá-la e reorganizá-la a partir de uma visão pessoal.
Depois de analisar vários softwares que se propõem a contribuir para a educação artística, Ana Mae revela que as teorias de arte estão sendo simplificadas nesses programas para se adequarem às linguagens tecnológicas, embora essa simplificação não seja necessariamente uma exigência do meio. “A verdade é que as tecnologias contemporâneas estão muito desenvolvidas, mas não há teóricos de arte-educação que estejam se aperfeiçoando para acompanhar essas conquistas”, sentencia.
Segundo Ana Mae, o conteúdo da maioria dos CD-ROMs está muito abaixo das possibilidades teóricas da arte, porque os CDs se limitam a abordar as obras de arte a partir do critério do formalismo técnico. “É um verdadeiro lugar-comum. Toma-se a obra e coloca-se aquelas figuras geométricas luminosas em cima dela para mostrar como foi articulada e pára por aí. Com esses recursos, esconde-se o mais interessante. A contextualização também é muito importante”, critica.
Na opinião da professora, única brasileira detentora do Prêmio Internacional Sir Hebert Read, outorgado pelo INSEA/UNESCO em 1999 a profissionais de arte-educação, é preciso formar um grupo de estudos para pensar como pluralizar as leituras das artes apresentadas nos CD-ROMs. “As teorias estão aí, mas não as vemos aplicadas aos produtos. A Informática é um grande instrumento que pode ser usado no ensino da arte, principalmente por democratizar o acesso à imagem, mas ainda é preciso chegar a um formato ideal”, avalia.(M.L.D.)