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COMUNICAÇÃO VIRTUAL Quem é melhor: e-mail ou ICQ? Os internautas se dividem na preferência pelo correio eletrônico e pelos diversos programinhas de mensagens instantâneas por BRUNA CABRAL Nada mais tentador que comunicação virtual. Não importa onde esteja o micro, se em casa ou no trabalho, mas é praticamente impossível passar mais de duas horas na frente da tela sem querer compartilhar alguma idéia ou fofoca com o internauta mais próximo, ou mais distante, tanto faz. Se até bem pouco tempo atrás os bons e velhos softwares de envio e recebimento de e-mail eram o único consolo nesses momentos, agora está cada vez mais difundido o uso de programas como o ICQ, que permitem bater papo em tempo real, enviar mensagens e arquivos e até, para os internautas que não economizam em hardware, fazer ligações telefônicas ou conferências. A popularidade desses programas tem crescido tanto que já há até quem fale que eles chegarão a substituir o e-mail na preferência dos internautas. Parece conversa de spammer? Mas não é. A possibilidade foi levantada pelo Gartner Group. De acordo com o instituto americano, os programas de mensagem instantânea deverão responder, em 2004, por 60% de toda a comunicação em tempo real, desbancando o e-mail. E não é só isso. Até lá, esses programas terão aplicações diversas, como comércio eletrônico sem fio e jogos. Os números registrados pelo ICQ só reforçam essa teoria. O programa, considerado o precursor dos messengers, atingiu a marca de 100 milhões de usuários cadastrados em 90 países, além dos Estados Unidos. Há que se considerar, no entanto, que um único internauta pode ter mais de uma conta no programa. Para tirar a prova dos nove, a Jupiter Media Metrix realizou uma pesquisa, levando em consideração apenas usuários únicos. O resultado? O MSN aparece como líder de preferência, com 29,5 milhões de usuários, seguido pelo AIM, messenger da AOL, com 29,1 milhões de cadastrados. Só em terceiro lugar vem o ICQ, com 20,6 milhões de internautas associados. E ainda teve especialista anunciando que esses programas jamais pegariam, quando o ICQ foi criado, lembra o diretor de Tecnologia da Newstorm, uma das unidades de negócio do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Idevan Freire. Um tanto cético com relação a previsões, ele acredita que os e-mails estão longe de tornarem-se e-lendas. As mensagens eletrônicas trazem muitas vantagens: é possível escrever mais, de maneira mais elaborada, e mais formal, afirma. Apesar de gastar sua lábia defendendo a antiga forma de comunicação virtual, Idevan já se rendeu aos encantos dos messengers. Isso mesmo, dos messengers, no plural: ele possui mais de um. Uso o Yahoo Messenger e o ICQ. E ele não é o único. Na Newstorm, o ICQ é usado como instrumento de trabalho, para comunicação interna e também com os clientes, para conversas do tipo tiro curto. A publicitária Carla Carvalho rasga elogios à comunicação via e-mail: É mais abrangente, porque todo mundo tem conta de e-mail, afirma. Mas ela não esconde a paixão pelo MSN, que é considerado software obrigatório na empresa onde trabalha. O programa já faz parte do meu dia-a-dia. A jornalista Juliana Cavalcanti vai mais longe. Ela se considera uma viciada. Não consigo entrar no computador sem abrir o MSN e o ICQ, nem que seja só para ver quem está online, conta. Mas ela confessa que as contas de e-mail também estão no hall de seus vícios digitais. Sempre adorei escrever cartas à moda antiga, com caneta e papel, e o e-mail é o que mais se aproxima disso. Mesmo não sendo tão saudosista assim, a advogada Daniela Dias é categórica ao afirmar que os e-mails jamais serão substituídos pelas mensagens instantâneas. Cada um tem uma funcionalidade: um é mais formal e seguro, mas o outro é mais rápido e prático, pondera. No entanto, uso mais e-mail, mesmo para me comunicar com amigos, diz, revelando uma quedinha por seu Outlook Express. Já o comerciante Hugo Mello é um entusiasta quando o assunto é messenger. Ele tem lá seus motivos. Tenho um irmão e uma irmã que moram fora do País e só me comunico com eles pelo MSN, afirma. Tanto no escritório quanto em casa, Hugo está sempre esbarrando com os irmãos no ciberespaço. Quando estou em casa é melhor, porque podemos conversar por telefone e até nos ver, através do NetMeeting. Diante de tanta indecisão, Idevan aponta o caminho que parece mais plausível: nem e-mail, nem messenger, mas uma mistura dos dois irá dominar a Web no futuro. A tendência é que os programas de bate-papo instantâneo tenham cada vez mais recursos, inclusive serviço de e-mail. Ou seja, tudo estará integrado, prevê, na tentativa de pôr fim à polêmica. |
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