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JC Negócios
Fernando Castilho

O país dos perdulários

A julgar pelas declarações dos empresários, dirigentes e até governantes sobre a facilidade com que vão conseguir reduzir, em 20%, o consumo de energia elétrica, qualquer pessoa mais ou menos alfabetizada chega à conclusão de que somos um país de cidadãos perdulários que, nos últimos anos, aproveitou-se do preço baixo da energia e que só agora quando há perigo real de se ficar sem energia é que estamos tomando a decisão de economizar.

Não é de todo verdade. Cidadãos comuns, empresas bem administradas, universidades e administrações públicas já vêm se preocupando com o assunto. Não porque tivessem consciência do risco que o consumo sem cuidado representava para o País. Mas porque entenderam que economizar energia é fator de garantia de lucro.

Mas é preciso dizer que a indústria fez pouco pelo consumidor. Obter um selo do Procel, por exemplo, leva quase um ano. As campanhas de divulgação sobre equipamentos e produtos que economizem energia sequer fazem parte da publicidade das empresas. Por isso fica difícil acreditar que será fácil economizar tanta energia. Custará caro e vai punir o consumidor. Mas talvez acrescente-nos um pouco de consciência social.

Estados vão reduzir 10 milhões de MWh

Os estados atendidos pelas Chesf têm de economizar algo próximo a 10,4 milhões de quilowatts/hora para tentar sobreviver ao desafio de chegar ao novo período chuvoso do Rio São Francisco. No ano passado, a Chesf vendeu a eles 52 milhões de quilowatts/hora obtendo um faturamento bruto de R$ 2,1 bilhões, contra os R$ 1,7 bilhão computados em 1999. Bahia, Pernambuco e Ceará que juntos têm 68,6 do consumo terão de reduzir alguma coisa próximo a 7 milhões de quilowatts/hora.

Boom do Air Split

Vem aí um boom no mercado de ar-condicionado ancorado no modelo com a tecnologia Air Split. Mesmo custando até três vezes mais comparados com os aparelhos convencionais de parede, os novos aparelhos ganharam um diferencial de vendas: reduzem em até 50% o consumo de energia. Para a classe média é a chance de manter seu padrão de vida.

Briga judicial

O presidente da STJ, ministro Paulo Costa Leite, já avisou que a Justiça vai ser inundada por uma onda de ações na Justiça contra o racionamento. De empresas que vão querer cobrar indenização por lucros cessantes a pessoas físicas que não vão aceitar o corte de até seis dias por mês. Até porque serão pessoas da classe média que podem pagara advogado.

Preço do macaco vai subir

Policiais que trabalham no combate ao furto de energia, estimam que vai subir o preço dos serviços de colocação de Sistemas Alternativos de Alimentação de Energia (Macaco). Agora não será para pagar menos, mas ficar dentro da cota.

Térmica só interessa por se pagar logo

Todos os projetos das 49 termelétricas só acrescentam 2% ao nosso sistema elétrico brasileiro hoje capaz de produzir 79 milhões de megawatts. Mas todo mundo quer fazer porque ela se paga em, no máximo, cinco anos.

Da Índia ao Pólo

O secretário Cláudio Marinho voltou da Índia, trabalhando numa proposta conjunta com a Infosys, empresa da cidade de Bangalore e uma das maiores do mundo na produção de software. A cidade eletrônica de Bangalore recebe por ano mais de 300 mil currículos, selecionando 3 mil empregados que ocupam uma área de 100 mil m²

PCR provisiona 13º

A situação do caixa deixado pelo prefeito Roberto Magalhães (onde todas as despesas correntes foram provisionadas) além da parada que o PT deu aos pagamentos no primeiro trimestre do ano, permitiu gerar um discreto superávit nas receitas da PCR que viraram provisão para pagamento do 13º dos servidores de 2001.

Abertas até o dia 9 de julho, no Núcleo de Hotelaria e Turismo da UFPE, as inscrições para o 6º Curso de Comissários de Vôo. Com aulas teóricas e práticas (marinharia, sobrevivência na selva e combate a incêndio) terá 40 vagas. Serão exigidos idade mínima de 18 anos e o 2º grau completo.

O economista Osvaldo Moraes, ex-interventor da Banorte Fundação, vai dirigir a filial pernambucana da empresa carioca Agrif, pioneira na análise de performance e qualificação de fundos de investimentos do mercado brasileiro e que lança no Recife sexta-feira o novo site da instituição.

Estão se juntando a Admed e a Federação das Associações de Micro e Pequenas Empresas (Feamepe) para oferecer planos de saúde com preços diferenciados aos microempresários filiados à entidade. O plano abrange serviços odontológico, ambulatorial, internamento e cirurgias além de recebimento gratuito de genéricos.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.05.2001
Domingo