Partido faz convenção regional hoje para renovar o mandato da maioria dos seus dirigentes, minimizando as divergências internas
por SÉRGIO MONTENEGRO FILHO
Fundado há 20 anos, em substituição ao extinto MDB, o PMDB de Pernambuco continua a cara de Jarbas Vasconcelos (PMDB). Hoje, das 9h às 12h, peemedebistas de 177 municípios do Estado se reúnem, no plenário da Assembléia Legislativa, para a convenção regional do partido, que vai reconduzir os atuais integrantes do diretório e da executiva estadual a um novo mandato de dois anos. Não haverá bate-chapa e o atual presidente regional, Dorany Sampaio, será reeleito por aclamação para o seu sexto mandato consecutivo à frente da agremiação, cargo que ocupa há onze anos.
“Em time que está ganhando não se mexe”, brinca um dirigente peemedebista, integrante de uma tranqüila maioria detentora do comando partidário. Absolutamente sintonizados com o pensamento do governador – líder maior do PMDB – esses dirigentes garantem que não se sentem incomodados com os focos de resistência que se estabeleceram no partido nos últimos anos. Sem força para assumir o comando da legenda, os ‘rebeldes’ se queixam da cúpula, a quem acusam de não dialogar com as bases e de manter o partido sob total atrelamento ao Governo Jarbas.
As vozes dos insatisfeitos têm soado um pouco mais alto nos últimos meses, mas ainda não fazem barulho suficiente para abalar a estrutura da direção, principalmente da nova executiva. Dos 13 cargos da comissão, os de maior destaque serão preenchidos por integrantes do grupo mais restrito de Jarbas Vasconcelos. A começar pelo próprio presidente, Dorany Sampaio, secretário estadual de Governo, que exerce o papel de articulador político do governador.
Os três vice-presidentes, pela ordem, são: Marcus Cunha (assessor especial do governador), Liberato Costa Júnior (vereador decano do Recife e defensor ferrenho da administração) e Jacilda Urquisa (ex-prefeita de Olinda e procuradora do município, hoje à disposição do Governo do Estado). O secretário-geral do partido, Carlos Eduardo Cadoca Pereira, deputado federal licenciado e jarbista ‘desde criancinha’, chefia também a Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico e Turismo. Também ocupante de cargo de confiança, o secretário-adjunto de Governo, Petrônio Siqueira, será reconduzido à vaga de tesoureiro-adjunto do partido. Mais próximos do governador, impossível.
Os ‘rebeldes’ assumem sua impotência diante da força dos atuais dirigentes. Mas nem por isso deixam de protestar. Alguns nos bastidores, outros abertamente. “Não devemos deixar o PMDB se confundir com o Governo. O partido precisa ter autonomia”, afirma o deputado federal Armando Monteiro Neto, que não teme explicitar as críticas. “Muitos têm a mesma opinião, mas coube a mim o ônus de expressá-la”, acrescenta. Assim como ele, outros parlamentares já mandaram seu recado à direção. Entre eles, os federais José Chaves e Salatiel Carvalho e o estadual Geraldo Melo. O caso mais explosivo envolveu o deputado Guilherme Uchôa. Quando disputou a presidência da Assembléia Legislativa, em janeiro, Uchôa perdeu o apoio de Jarbas e do PMDB para o pefelista Romário Dias. E também perdeu a eleição para a presidência, o que culminou com sua saída do partido.
Mas, mesmo diante das turbulências, os peemedebistas insistem em aparentar unidade. E farão isso mais uma vez hoje. Quando Jarbas terminar seu discurso, previsto para as 11h, a convenção regional será encerrada com a posse dos novos dirigentes. E as mudanças serão mínimas. Afinal, “o time está ganhando”.