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RELAÇÕES AMISTOSAS IV
Campanha política põe em perigo paz entre gestões

Na avaliação de observadores, disposição do prefeito João Paulo de liderar a articulação das esquerdas para as eleições 2002, quando enfrentarão Jarbas, pode prejudicar o bom relacionamento entre os Palácios

Cinco meses de paz, cooperação, relação tranqüila. Mas a lua-de-mel entre as administrações do Estado e do Recife pode estar com os dias contados. Cada folha do calendário que cai, aproxima as eleições de 2002 e esquenta ainda mais os ânimos políticos. Os palanques já começam a ser montados e o terreno de cada lado passa a ser demarcado com mais ênfase. Na avaliação de alguns, o prefeito do Recife pode ser o algoz do clima de paz que se instalou entre os Palácios das Princesas e do Capibaribe.

Isso porque, mesmo sem disputar qualquer cargo no ano que vem, João Paulo anunciou que vai assumir o papel de articulador das esquerdas no Estado. Todas armadas para o embate com Jarbas nas urnas, em 2002. A postura do petista, que anda causando ciúmes até mesmo em alguns aliados, coloca o prefeito na vitrine política, leva o petista à rota de colisão com o governador e pode indispor os dois, estremecendo as relações políticas entre Estado e PCR.

“A eleição, sem dúvida, deixa o clima mais tenso. Mas, como a gente está estreando, vamos buscar o equilíbrio. O ideal seria que não atrapalhasse as coisas no nível administrativo. E nós não vamos seguir esse caminho de levar a eleição para o campo da disputa institucional”, afirma Lygia Falcão, chefe da assessoria especial da PCR. “Essa, eu tenho certeza, é uma posição de interesse dos dois governos.”

Dando apoio integral à decisão de Jarbas de combater o xiitismo na administração estadual, o vice-governador Mendonça Filho (PFL) não acredita que a deflagração da sucessão estadual vá colocar em risco o bom relacionamento que o Estado vem mantendo com a Prefeitura. “O interesse da população do Recife tem que estar acima de qualquer interesse político-partidário. E eu espero que as diferenças não se acirrem.”

“Não tenho nenhum preconceito contra o PT. Tenho até uma relação pessoal muito boa com o prefeito João Paulo e tenho pessoas do PT que são de minha relação pessoal. Não vamos misturar as coisas como se estivéssemos em uma frente de guerra”, esclarece. Quanto à postura de João Paulo de assumir as articulações das esquerdas, o vice-governador também não acredita que isso se transforme em obstáculo nas relações entre Estado e município. “Até porque o principal articulador da aliança que hoje comanda Pernambuco é o governador. Quem preside o processo é Jarbas. Então, é cada um no seu campo político.” (A.L.)

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Jornal do Commercio
Recife - 20.05.2001
Domingo