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RUMO A 2002
Apagão dá energia à oposição

Crise energética é mais uma arma das oposições contra FHC. Até mesmo governistas acusam omissão do Planalto

por DILZE TEIXEIRA
Especial para o JC

BRASÍLIA – É crítica a situação do Governo Fernando Henrique diante do programa de racionamento que está sendo obrigado a adotar, que poderá inclusive recorrer a apagões, numa segunda etapa, para evitar o colapso total de energia. Além do aspecto técnico do racionamento, o Governo se preocupa com o desgaste político que ele fatalmente acarretará, bem como com as questões legais. A expectativa é a de que haverá uma enxurrada de pedidos de liminares na Justiça contra algumas das medidas. O PT, por exemplo, já anunciou que, na próxima semana, deverá dar entrada a uma ação pública de criminalização junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) responsabilizando o Governo pela crise energética.

“O Governo vai ter que responder pelo colapso energético, e o principal responsável, nesse caso, é o presidente Fernando Henrique, que poderá ser processado por sua incompetência”, ataca o deputado Fernando Ferro (PT). “Além de incompetente o Governo foi irresponsável, pois, apesar de todas as advertências, não adotou qualquer medida para impedir a crise", completa, indignado, o deputado. Ferro acha que FHC foi de um “cinismo” à toda prova quando disse que foi surpreendido pela crise energética. “Não acredito que os arapongas da Abin não tenham alertado o presidente sobre a situação. Pior ainda se isso for verdade, porque aí fica comprovada a magistral improbidade administrativa desse Governo”.

Para explicar as razões da crise energética, o senador Roberto freire (PPS) utiliza, no mesmo tom, os substantivos “incompetência”, “inércia” e “irresponsabilidade”. O presidente do PPS está convencido de que “o Governo não ficará imune a crise, pagará um preço muito alto pela incompetência nas próximas eleições”. Apesar de culpar o Governo, Freire diz que o PPS não adota a teoria do “quanto pior melhor”. “O partido não quer se aproveitar do momento, mas apresentar uma proposta responsável no sentido de que todos se unam – os partidos políticos, líderes sindicais e empresariais – na busca de uma melhor solução para a enfrentar a crise”.

Da base governista, o deputado Armando Monteiro Netto (PMDB) é outro que prevê “grandes problemas” para FHC. “O quadro que está se desenhando com o racionamento terá reflexo de natureza política. O custo político será grande, na medida que a população perceber que todo transtorno a que for submetida pelo racionamento ocorre porque houve imprevidência por parte do Governo”, afirma. Mais que isso, Monteiro julga que houve irresponsabilidade do Governo pela falta de planejamento. “Omissão mesmo, considerando que não foram feitos os investimentos necessários no setor”, completa.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.05.2001
Domingo