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RUMO A 2002 III
Para cientista político, FHC enfrenta o seu maior inferno astral

O Governo enfrenta agora, em um ano pré-eleitoral, a pior crise de sua história. Nada que seja feito a essa altura vai melhorar substancialmente a imagem dos governantes corroída pela crise energética, porque a população sabe que todos os atropelos a que está sendo submetida é resultado da imprevidência, da falta de planejamento do Governo. É assim que o cientista político Válder de Góes, professor da Universidade de Brasília, analisa a situação atual do Governo, que aponta como um sentimento generalizado da sociedade, principal vítima do racionamento.

“Nunca houve nada tão grave como essa crise de energia”, considera Válder de Góes, que identifica no episódio o elemento que faltava para “consolidar a tendência favorável aos candidatos da oposição ao Planalto que, há mais de três anos, de acordo com as pesquisas de opinião, somam mais de 50% da preferência do eleitorado”. Segundo o cientista político, quando a população sentir o efeito do racionamento, seja pelo aumento na conta de luz, pelos atropelos que atingirão a dona de casa, o lazer do cidadão, a economia - que terá que restringir seu crescimento agravando, por conseqüência, o desemprego no País, “todas as chances de o Governo ganhar as eleições em 2002 estarão sepultadas”.

A curto prazo, em função da crise energética, ele prevê que o Governo sofrerá conseqüências com a redução do consenso político, o poder coercitivo legal e começará a perder consistência que trarão reflexos de todo tipo. Com isso se abrirá espaço, por exemplo, para novas CPIs, para a aprovação de projetos contrários ao Governo, como os que proíbem a privatização do setor elétrico (já desengavetado na Câmara dos Deputados). “Fernando Henrique enfrenta, agora, o pior inferno astral de toda a sua administração. Ele pode ser triturado e a oposição nem precisará fazer nada”, conclui Válder de Góes.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.05.2001
Domingo