Oposições se reúnem hoje à noite, num jantar na casa de Eduardo Campos (PSB), em meio a uma briga surda entre o PT e o PDT
por ANA LÚCIA ANDRADE
O deputado federal Eduardo Campos (PSB) oferece, hoje, um jantar aos representantes da esquerda no Estado, que pode ser a oportunidade para silenciar, de vez, a ‘briga surda’ entre o PT e o PDT pelo comando das articulações do bloco rumo às eleições de 2002. Desde que as oposições resolveram dar a largada à sucessão – para não deixar o processo correr solto sob o domínio da aliança PMDB/PFL/PSDB – que o prefeito do Recife, João Paulo (PT), e o deputado estadual José Queiroz (PDT) disputam a linha de frente das articulações.
O pedetista foi quem deu o primeiro passo. Apressou o namoro com o PPS, em nome de uma tal aliança em torno do ex-ministro Ciro Gomes (PPS) à Presidência da República. Ao mesmo tempo em que mandava um recado ao PT: não sairá, necessariamente, das hostes petistas a cabeça-de-chapa das esquerdas na sucessão estadual.
Vale ressaltar que o PPS é o partido ‘mais arredio’ da base de sustentação do Governo petista. Nem bem tinha começado sua gestão e João Paulo se enfrentou com o presidente nacional da sigla, senador Roberto Freire, na discussão sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Não deu outra. O PT percebeu que a dobradinha PDT/PPS pode não ser apenas para a eleição presidencial. O bloquinho – que começa ainda esse mês a rodar o Estado promovendo encontros conjuntos – poderia estar trabalhando para emplacar, também, um nome no Estado.
Foi aí que João Paulo chamou para si o comando do processo sucessório. Na primeira cartada, lançou o prefeito de Petrolina, Fernando Bezerra Coelho (PPS), como “ótimo nome” das esquerdas à disputa pelo Governo. Pagou o ônus de um tremendo mal-estar no seu partido, que alimenta a esperança de ter o secretário Humberto Costa como candidato das oposições.
No ‘rastro’ do petista, José Queiroz correu em direção ao PSB e se encontrou com Miguel Arraes. Foi só um primeiro encontro, mas o suficiente para começar a amarrar uma vaga para o socialista na majoritária. Arraes admitiu disputar o Senado.
Hoje, todos ‘sentam à mesa’ e degustam a sucessão de 2002. Embora o anfitrião seja um socialista, quem organiza o evento é João Paulo. A própria secretária do gabinete do prefeito ligou para cada um dos convidados.