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SEGURO
Consumidor pode sair perdendo se optar pelo plano básico

por ANA CRISTINA LIMA

Antes de contratar um seguro para o automóvel deve-se levar em conta os benefícios que ele trará em caso de necessidade. Para baratear as prestações, muita gente opta pela cobertura básica, descartando os produtos opcionais. A economia pode sair caro e só será percebida na hora que se precisa. “Só faço seguro com carro reserva”, afirma o empresário Inácio Cordeiro Júnior depois que o seu automóvel ficou 15 dias no conserto e ele precisou andar a pé. “O veículo é um gênero de primeira necessidade. Vejo todos os dias o sufoco das pessoas que batem com o carro e não têm direito a automóvel reserva”, diz Júnior que é proprietário da Oficina Autotec.

“Têm clientes que excluem a cobertura para invalidez ou morte dos ocupantes do veículo com a intenção de baixar o valor da apólice, mas isso não é aconselhável. Em muitos casos é difícil convencer o consumidor de que a atitude não resultará em economia considerável e que isso pode trazer problemas posteriores”, enfatiza o corretor de seguros, Gilvan Feitosa.

“O ideal é contratar R$ 50 mil para danos materiais e R$ 300 mil para danos pessoais”, avalia o diretor da Âncora Corretora de Seguros Marcelo Andrade. Um atropelamento pode acabar numa ação de responsabilidade civil e o valor determinado para a indenização ser superior ao contratado na apólice. Uma outra hipótese é de a pessoa ter que responder pela dívida direta num acidente, perdendo o automóvel, quando o valor for insuficiente para reparar os danos causados no outro veículo.

Há seguradoras que cobrem até R$ 1 milhão de danos a terceiros. Exagero? Não se o carro da frente for uma Ferrari e o seu um popular. “As companhias dispõem de uma gama de serviços adicionais que encarecem o seguro”, admite o diretor da Âncora. “Mas o custo-benefício da cobertura maior é muito bom e na hora ‘H’ pode fazer muita falta”, fala Bruno Novaes, também diretor da corretora.

“A diferença entre uma pessoa que escolhe um seguro para terceiros de R$ 20 mil e outra com R$ 30 mil é de aproximadamente R$ 20 por ano no preço da apólice”, afirma Novaes. Levando-se em conta que o automóvel é um popular, no primeiro caso, o preço do seguro será de R$ 660, enquanto que no segundo o valor vai para R$ 643.

Os casos de vítimas que vão à Justiça reivindicando indenização por danos morais levou as companhias de seguro a oferecer esse tipo de cobertura, além de custas advocatícias. “A responsabilidade por danos morais é o pedido do momento. A exposição da vítima ao constrangimento não tem como se mensurar. Se o caso for parar na Justiça, o juiz pode entender que ela tem direito a esse tipo de indenização e o dono do carro que não dispõe da garantia tem que pagar”, explica Andrade.

Um comportamento que virou hábito entre muitos segurados é o de contratar a apólice do carro em nome de um parente com um perfil que torna mais barato o preço do seguro. As mulheres, casadas, com filhos e idade superior a 35 anos pagam menos. Já os recém-habilitados, estudantes, consumidores que não têm garagem em casa pagam mais caro pela apólice. “Quem mente para obter desconto no preço do seguro pode ter o mesmo cancelado”, alerta Andrade. “Corra de qualquer tipo de subterfúgio, jogue transparente com as seguradoras.”

Um outro cuidado que se deve ter é quanto a escolha do corretor. Nunca antecipe cheques das parcelas, a não ser o pagamento do sinal. “Se alguém tentar induzi-lo a tirar vantagem sobre a companhia, não aceite”, orienta Marcelo Andrade. Segundo o diretor da Âncora Corretora, o maior custo das seguradoras é com o pagamento de sinistro, que corresponde a 60%. “Por isso elas estão olhando mais atentamente a regulação dos mesmos”, diz.

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Jornal do Commercio
Recife - 20.05.2001
Domingo