A proposta de reajuste agradou aos oficiais, que voltaram a trabalhar, e irritou os cabos e soldados, que continuam com o movimento
MACEIÓ – A proposta de reajuste salarial do Governo para os policiais militares de Alagoas, feita anteontem, agradou aos oficiais, que voltaram ontem ao trabalho. Cabos e soldados se irritaram com os superiores e mantêm o movimento.
Dividida, a Polícia Militar alagoana viu a Justiça considerar ilegal a greve, iniciada na quarta-feira (18). Cabos e soldados uniram-se aos policiais civis, recusaram as propostas de aumento do governador Ronaldo Lessa (PSB), marcharam pela cidade e decidiram acampar na frente do Palácio do Governo, na Praça dos Martírios.
Ontem a assembléia de policiais militares e civis reuniu cerca de 500 pessoas, metade do número que havia no primeiro encontro. Um dos motivos foi a divisão do movimento. Os grevistas consideram o tenente-coronel Jean Paiva, presidente da Associação de Oficiais, um traidor, por ele ter negociado reajustes considerados ridículos. Paiva havia proposto aumento de 40% para os militares, a serem pagos até o próximo ano.
BARRA – Cabos e soldados do 1º Batalhão de Polícia Militar, no bairro do Trapiche, foram impedidos de participar da passeata pelo comando da tropa. Os manifestantes entraram no batalhão para pedir a adesão do restante dos homens. Sem sucesso. “Alguns companheiros estão sendo retaliados”, protestou o soldado Wagner Simas, presidente da Associação de Cabos e Soldados.
Mais uma vez, o carro de som que acompanhava a marcha recomendou aos comerciantes que fechassem as portas de seus estabelecimentos, aos moradores que não saíssem de suas casas e aos turistas que abandonassem Maceió. Muitos lojistas preferiram ver a marcha passar e os turistas estavam nas praias. Mesmo sem policiamento, a capital continua vivendo um clima de normalidade.
REAVALIA – O Governo estadual refez ontem a proposta de reajuste, apresentada na véspera. Agora, os porcentuais de reajuste variam de 20,90% para soldados a 6,85% para coronéis. A oferta de 10,68% para os civis foi mantida. O tenente-coronel Paiva reconhece a divisão do movimento e não vê com bons olhos a união entre os grevistas das Polícias Civil e Militar. “A posição do Sindpol (Sindicato dos Policiais Civis) é de radicalizar o movimento. A minha solidariedade é com a PM.”