Dos nove policiais mostrados pela Globo sete estão presos, um foragido e o outro não foi identificado
RIO – Somente um dos nove policiais militares que aparecem numa fita de vídeo recebendo dinheiro de traficantes do Morro da Providência, na zona norte do Rio, está foragido. Sete deles foram identificados, presos e prestaram depoimento ontem na Corregedoria da PM. Há uma dúvida com relação ao nono policial que aparece na fita: dois PMs detidos se acusam mutuamente e não tiveram os nomes divulgados. O sargento Osvaldo Luís Gomes – o único que ainda não se entregou – é aguardado hoje no 4º Batalhão de Polícia Militar, onde estaria de serviço. Se ele não se apresentar, será considerado desertor.
Os policiais, a maioria do 5º Batalhão da PM, foram filmados por traficantes da favela no ano passado e a fita foi exibida anteontem pela TV Globo. As imagens mostram que eles cobravam dos bandidos R$ 20 mil por semana para não coibir o comércio de entorpecentes. O grupo ficará preso por 30 dias e depois será expulso da corporação. O comandante geral da PM, coronel Wilton Ribeiro, disse que a relação de traficantes e policiais está sendo investigada em outras comunidades.
“Sinto uma indignação absoluta. Não mereço isso”, afirmou Ribeiro, abatido. O comandante anunciou a criação de uma supervisão especial para fiscalizar os Postos de Policiamento Comunitário (PPCs) que funcionam dentro das favelas. Um coronel altamente graduado ficará com essa responsabilidade. “Na Polícia Militar, roubou, está fora.” Ele informou que quatro policiais que estavam de plantão no Morro da Providência nos dias das filmagens – 6, 8 e 10 de novembro de 2000 – mas não aparecem na gravação foram espontaneamente à corregedoria e já estão afastados dos serviços das ruas, restringindo-se ao trabalho administrativo enquanto estiverem sendo investigados.
Os policiais presos ontem são os soldados Eduardo Henrique do Carmo Martins Cruz, Anderson Reis de Almeida e Flávio Lopumo Freitas, os sargentos Carlos Fonseca Soares e Neílton Reis do Amaral, e os cabos Adalto da Silva Polli e Cid dos Santos Marques da Silva.