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LIVROS
Livros de qualidade em primeiro lugar

Livraria Kriterion abre as portas para quem gosta de poesia, livros de arte, filosofia e literatura infantil, além de apreciar uma boa conversa

por SCHNEIDER CARPEGGIANI

Uma livraria com a preocupação primeira na qualidade de seu acervo e servida ainda pela figura de um livreiro - profissão rara de se encontrar nos dias atuais - para orientar a escolha dos seus clientes. Este era o antigo sonho do publicitário e escritor Jairo Lima e do poeta Pietro Wagner, unidos não só pela eletiva afinidade da paixão pela literatura, mas também pelo fato de, respectivamente, serem pai e filho. O desejo da dupla foi colocado em prática, há pouco mais de duas semanas, com a inauguração, em regime de soft open, da Kriterion.

Pequena, com algo em torno de 2.400 títulos em exposição, a Kriterion surgiu para quebrar um pouco com a cara de loja de departamento que as livrarias recifenses vêm tomando nos últimos tempos, sobretudo após o fechamento da lendária figura da Livro 7 – um espaço onde a mera venda de livros era apenas o ‘início da conversa’.

“O conceito da Kriterion, que é inédito, surgiu em uma conversa, na qual estavam presentes publicitários, chefes de criação, jornalistas e escritores. O nosso principal interesse é oferecer um serviço de qualidade ao leitor. No centro da livraria, há uma mesa, onde as pessoas podem sentar, folhear os livros, conversar ou tomar um vinho ou um café. Queremos que as pessoas, ao verem uma sacola com livros da Kriterion, saibam que ali dentro está uma obra de qualidade, independente do gênero de sua preferência. Em pouco tempo, teremos ainda revistas culturais à venda”, afirmou Jairo.

A qualidade que Jairo faz questão de ressaltar pode ser conferida em todos os detalhes do acervo da livraria, com a maior parte dos títulos voltada à literatura - auto-ajuda, técnicos e seus pares, todos de fora. A seção infantil da Kriterion é um dos seus pontos fortes, com obras selecionadas de autores fundamentais, como Clarice Lispector, Voltaire (ele mesmo!) e até James Joyce, que, para surpresa dos desavisados, também escreveu para crianças.

Para os amantes de poesia, uma boa surpresa: quatro prateleiras, nas quais é possível se deparar tanto com mostras da contemporânea produção poética francesa, como também títulos de autores mais difíceis de encontrar por aqui - o volume com as obras completas do maldito Lotréamont exemplifica bem isso.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.07.2001
Sábado