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MÚSICA II
Los Hermanos faz uma outra folia em Bloco do Eu Sozinho

Intencional ou não, o desejo de exorcisar Ana Júlia, fez com que a banda carioca Los Hermanos sacudisse o pop brasuca da mesmice em que ele chafurda nos últimos anos. Se o Weezer era influência clara em álbum de estréia (Ana Júlia comunga de grandes semelhanças com Pink Triangle, do CD Pinkerton, de 1996), em Bloco do Eu Sozinho o grupo lança mão de idéias antes impensáveis no primeiro álbum.

De uma tuba fazendo às vezes do baixo elétrico, a metais, sopros e um moog cerzindo as canções, o disco é quase experimental. Do anterior só permanece a melancolia, as canções de desamor. Em A Flor, as mudanças no andamento desconcertam, indo de uma batida de samba de teleco-teco, a guitarras pesadas e naipes de metais.

Samba, jazz, ska, punk, e acordes dissonantes. Retrato de Iá Iá é uma retomada do samba-rock, com pitada de jazz, que se torna um balada, na linha da morbidez romântica implementada por Jards Macalé, nos idos dos 70. Os tempos do udigrudi só dão as caras em Tão sozinho.

De resto, há até uma valsinha, intitulada Mais uma canção, e a ousadia da mutilação das sílabas finais dos versos de Cadê teu suin, uma melodia à Minnie the Moochie, de Cab Calloway.

Em seu segundo CD, o Los Hermanos assume mesmo o bloco do eu sozinho (o bloco realmente existiu nos anos 60, no Carnaval de rua carioca). O repertório do álbum além de irrotulável, não tem a ver com a linha evolutiva de nada. Não é um disco fácil, e paradoxalmente traz várias faixas, que podem repetir o sucesso do álbum anterior.

Serviço:

O Bloco do Eu Sozinho – Abril Music – Preço médio: R$ 19,90

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Jornal do Commercio
Recife - 21.07.2001
Sábado